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François Hollande protagoniza a viragem socialista da França

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François Hollande protagoniza a viragem socialista da França

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É a vitória da mudança para uma presidência socialista. François Hollande cumpriu por fim um sonho: suceder a François Mitterrand, depois de 17 anos de presidências conservadores em França.

O homem que dirigiu o Partido Socialista entre 1997 e 2008, mas que nunca participou em nenhum Governo, elegeu Tulle, capital da região rural de Correze – a que está muito unido politicamente – para anunciar que se lançava na corrida ao Elíseu.

Candidato François Hollande:

“- Num dado momento, são necessárias ideias e uma incarnação da mudança, e é por isso que aqui, em Tulle, perante vocês, meus amigos, decidi apresentar a candidatura às eleições presidenciais através das primárias do partido Socialista”

Representante da ala centrista do PS, Hollande, de 57 anos, começou por ganhar as primárias socialistas e depois conseguiu o apoio dos antigos rivais, conseguindo uma coesão sem precedentes nas hostes socialistas.

Posteriormente, lançou-se na campanha que desejou fazer durante muitos anos, mas que até, por causa da anterior mulher, que se candidatou em 2007, não pode fazer. O desaire de Dominique Strauss Khan também criou o ambiente para a união em torno de Hollande.

François Hollande:

“- Imagino que presidir em França não será um tempo de repouso, não vou fazer uma campanha intensa para me converter amanhã num reformado.”

O socialista propõe aos franceses um programa de reativação da economia, entre outras coisas com o chamado “contrato gerações” para ajudar a empregar jovens nas empresas que mantenham os funcionários antigos. Também se compromete a subir os impostos dos mais ricos – 75% para os contribuintes que ganhem mais de um milhão de euros por ano – e a criar 60 mil empregos no ensino.

Em relação à regra de ouro defendida por Merkel e Sarkozy, Hollande propõe a condição do crescimento para reduzir o déficit.

Hollande:

“- Renegociarei o tratado assinado pelo presidente cessante e os chefes de Estado e de governo. Sou partidário do rigor orçamental e das disciplinas que implicam. De facto, declarei, há mais de um ano, que as contas públicas iam recuperar o equilíbrio no final de 2017.”

Esta proposta deu a Hollande um protagonismo adicional fora de França e do ultramar francês, o que o levou a dizer que “nunca umas presidenciais em França tinham sido tão decisivas para a orientação de Europa”.