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Legislativas gregas ameaçam desembocar em crise política

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Legislativas gregas ameaçam desembocar em crise política

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A revolta dos gregos contra as medidas de austeridade da “troika” eleva a extrema-esquerda ao lugar de segunda formação do país. O partido Syriza, liderado pelo jovem político Alexis Tsipras, obteve 16,4% dos votos nas legislativas deste domingo.

Um resultado que, somado à falta de uma maioria entre conservadores e socialistas, ameaça os planos de criar um governo de união nacional favorável às medidas da “troika”.

Tsipras relembrou esta noite, “a nossa principal prioridade nesta altura é de honrar o mandato decidido pelos eleitores para fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para termos um governo que condene o plano de resgate e anule as medidas de austeridade”.

À frente no sufrágio, por uma tímida diferença, ficou o partido conservador Nova Democracia, de Antonis Samaras com um resultado entre 17% e 20% dos votos. Um número de sufrágios que afasta a possibilidade de um bloco central com socialistas, relegados para terceiro lugar.

Samaras afirmou estar, “pronto para assumir as suas responsabilidades na formação de um governo de união nacional para atingir dois objetivos: a manutenção do país na zona euro e a mudança da política de austeridade associada à ‘troika’, afim de favorecer o crescimento e aliviar o país”.

O resultado do sufrágio representa um chumbo não só à atuação do ex-ministro das finanças Evangelos Venizelos, como do partido socialista, que pilota o país desde o início da crise. A formação ficou em terceiro lugar com 15% dos votos.

Venizelos afirmou esta noite, “precisamos de discutir a opção de formar um governo de união nacional. A constituição exige-o, mas este tem de ser formado de uma forma honesta, séria e flexível”.

O presidente da república grego vai agora incumbir os conservadores da formação de um governo nos próximos 10 dias. Se as negociações falharem caberá à extrema-esquerda, igualmente sem uma maioria, liderar as conversações.

Símbolo claro do voto de contestação dos gregos, a entrada no parlamento do partido neonazi “alvorada dourada”. As formações opostas ao chamado “memorando de entendimento” com a trika, arrecadaram neste sufrágio cerca de 60% dos votos.