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Norte-Westfália vira à esquerda

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Norte-Westfália vira à esquerda

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A música está a mudar, na Alemanha: “ Hit the road, Jack” foi o tema escolhido por Hannelore Kraft , do SPD, para festejar a vitória sobre o partido de Angela Merkel, a CDU, nas eleições regionais antecipadas na Renânia do Norte-Westfália.

Hannelore Kraft, SPD:

“- Em 20 meses conseguimos que esta região avançasse economicamente e em termos de justiça social. Acho que conseguimos um equilíbrio; há 29 mil novos empregos na indústria e, ao mesmo tempo, reduzimos a dívida. Vamos reduzí-la ainda mais, mas também vamos investir na educação infantil, e esse é um investimento de futuro que vale a pena.”

A 16 meses das eleições gerais, que impacto terá em Berlim o resultado na Renania do norte-Westfalia?

Para começar, reforça a posição do SPD no Parlamento alemão. A formação de centro-esquerda pode fazer exigências em troca do apoio ao pacto de consolidação fiscal que Merkel quer impor aos países europeus. A chanceler continua firme nas opções:

“- A única coisa que se pode fazer é aceitar que superar a crise vai um processo longo e entediante, que só terá sucesso se começarmos a combater as causas da crise, que são as dívidas abismais e a falta de competitividade em alguns países da zona euro.”

Mas fora de Alemanha, o dogma questiona-se abertamente em países como Itália, onde o primeiro-ministro Mario Monti lidera um executivo de tecnocratas:

“-Não podemos esquecer que as reformas estruturais, por si mesmas, não se traduzem em crescimento, porque se um país se torna mais produtivo e mais competitivo mas não há procura interna nem externa para os seus produtos, o crescimento não se materializa.”

A vitória do socialista François Hollande obriga a que a ideia de crescimento, defendida por muitos outros, seja agora mais levada a sério, pois ele coloca o crescimento como condição da aplicação de medidas contra o déficit.

François Hollande:

“- Tenho dito bastante sobre a responsabilidade orçamental pois ninguém pode dizer que esteja a questionar o controlo da dívida. Mas o crescimento é a condição para o controlo da dívida.”

Hollande pretende renegociar o tratado de consolidação fiscal assinado pelo anterior presidente, Nicolas Sarkozy, e os outros chefes de Estado e de governo europeus.