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Copenhaga afirma-se como coração da cozinha nórdica

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Copenhaga afirma-se como coração da cozinha nórdica

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O pequeno e frio reino da Dinamarca é sobretudo conhecido pelo minimalismo na arquitectura e no design de interiores. Mas há um novo pólo de atração de turistas que combina cores, aromas e sabores. Copenhaga é a nova meca da culinária desde que o restaurante Noma, liderado pelo chef René Redzepi, foi eleito o melhor do mundo por uma prestigiada revista da especialidade.

Outra estrela no panorama é Rasmus Kofoed, à frente do restaurante Geranium, chef que venceu o campeonato do mundo de culinária. A euronews conversou com Kofoed, que acredita na afirmação desta arte numa das regiões do mundo mais improváveis.

“Aquilo a que se assiste agora é uma espécie de pódio ou alta reputação, porque o Noma foi eleito o melhor restaurante do mundo. Pelo meu lado, ganhei a competição Bocus de Ouro, que elege o melhor chef do mundo. Esses dois factores, combinados com uma série de outras coisas, criaram uma reputação impressionante. O que espero é que tenhamos semeado algo que ajude não apenas alguns chefs, mas que crie um novo movimento de jovens talentos que vivam a culinária com muita paixão e energia. Para se poder mostar ao mundo que temos aqui algo especial”, explica Rasmus Kofoed.

Algo mais especial que peixe fumado e pão escuro, imagens tradicionalmente associadas aos países nórdicos. Mas mesmo sem os hortículas frescos do Mediterrâneo ou as especiarias asiáticas, pode-se obter prodígios com produtos locais como as algas marinhas, as flores selvagens e as conservas.

“Respeitamos a antiga cozinha dinamarquesa, mas precisamos também de a tornar mais refinada, mais elegante. Damos-lhe mais acidez, mais equilíbrio e maior envolvimento com a natureza”, afirma o chef do Geranium.

Qualidade a bons preços é uma das categorias do prestigiado Guia Michelin que o resturante Marv & Ben ostenta. Um menu de degustação por 40 euros que faz as delícias de muitos turistas e desfaz os mitos a cada garfada.

“Penso que foi uma surpresa maior para o público francês do que para o dinamarquês. Lembro-me de uma certa piada que contavam quando estava em França: porque não vais para casa fazer comida dinamarquesa? Não tem graça nenhuma, é muito estúpido”, refere o seu chef, Frederik Hvidt.

O prazer da mesa com produtos oriundos de pesca e agricultura sustentáveis, sem químicos e respeitando os ciclos naturais. Mas como muita imaginação na forma dos confecionar e dispôr no prato, parece ser o segredo deste sucesso. Um cozinha de fusão, transpondo para a culinária o multiculturalismo tão em voga no século XXI.

“As pessoas ainda pensam com base na cozinha tradicional. Utilizam todos os métodos e técnicas antigas, combinando-os com os produtos dinamarqueses para criar coisas novas, toda uma nova plaraforma sobre aquilo que é comestível”, acrescenta Frederik Hvidt.

Um pouco por toda a cidade multiplicam-se cafés, lojas e mercados que buscam esta reputação. Um exemplo é o Toverhallerne, projectado desde os naos 90, mas que abiu este ano: um entreposto alimentar onde se pode petiscar, fazer uma refeição gourmet ou comprar os produtos para testar os conceitos da nova cozinha nórdica.