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Mali: "Um Sahel habitável" é o sonho dos artistas Amadou e Mariam

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Mali: "Um Sahel habitável" é o sonho dos artistas Amadou e Mariam

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País considerado estável até então, o Mali acordou a 22 de Março passado com um golpe de Estado que derrubou o presidente Amadou Toumani Touré. A junta militar acusava o Presidente de não controlar os rebeldes tuaregues no Norte, mas estes aproveitaram o golpe para, efectivamente, ocuparem essa parte do país. Uma região onde também estão ativos insurgentes islamistas da al-Qaeda.

A crise político-militar agravou a situação humanitária, marcada pela fome e falta de infra-estruturas mínimas. O Programa Alimentar Mundial estima que mais 160 mil pessoas fugiram do conflito no Mali para campos já sobrelotados em países fronteiriços como Burkina Faso e Níger, que também fazerm parte da chamada região do Sahel, martirizada pela seca.

A União Europeia considera este território prioritário na ajuda humanitária e de desenvolvimento a prazo, mas reforçou as verbas devido a mais esta crise.

“Já mobilizámos mais de 288 milhões de euros para a região do Sahel. Estamos também a ajudar especificamente os refugiados oriundos da sublevação no Mali, no montante adicional de 9 milhões de euros”, explicou a comissária europeia para a Cooperação Internacional, Kristalina Georgieva.

A comissária reuniu-se, em Bruxelas, com Amadou e Mariam, cantores do Mali que são também embaixadores para a sensibilização da catástrofe no Sahel. Os artistas foram entrevistados pela correspondente da euronews, Margherita Sforza.

Sobre a possibilidade de se cristalizar a secessão do país entre Sul e Norte, com este último sob a influência dos islamistas da al-Qaeda e dos grupos separatistas tuaregues, Amadou revelou uma grande preocupação “porque sempre militámos para que as pessoas se entendessem e vivessem bem em conjunto. Esse é o objetivo de muitas das nossas canções. Não gostamos de ver o país dividido em dois.”

Face ao agravamento da crise humanitária, o artista espera da Europa ajuda humanitária “bem organizada”. “É importante definir bem os locais para onde as organizações se deslocam e definir as zonas de intervenção de modo a que possam também contribuir para diminuir os ataques”, explicou o cantor.

Um académico francês propôs que fosse aplicado uma espécie de Plano Marshall para o Sahel, de financiamento do desenvolvimento rural, com o qual Amadou concordam logo que a segurança seja restabelecida.

“A insegurança é um grande travão, pelo que primeiro é preciso ter segurança e depois aplicar um Plano Marshall. Mas efetivamente ele é necessário porque a região do Sahel é muito grande, é um vasto território. É uma tarefa complicado que não pode ser levada a cabo por uma só nação. Precisamos da ajuda de todos e, efetivamente, de um Plano Marshall para que o Sahel seja um lugar habitável”, afirmou.