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Amnistia Internacional denuncia passividade da ONU

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De  Euronews
Amnistia Internacional denuncia passividade da ONU

<p>O relatório anual da Amnistia Internacional sobre a situação dos direitos humanos não podia ser mais negro. O Conselho de Segurança da <span class="caps">ONU</span> está a permitir que os interesses de alguns países colidam com a defesa dos direitos dos sírios e de outros povos. O secretário-geral, entre muitas críticas, alerta os defensores das antigas ditaduras para o dever de respeitarem os tratados internacionais.</p> <p>A organização defende que as propostas de resolução sobre genocídio, crimes de guerra e crimes contra a Humanidade estejam isentas do direito de veto no seio do Conselho de Segurança de Nações Unidas. </p> <p>euronews – Os egípcios vão eleger um novo presidente, mas não o preocupa o futuro dos países que viveram a “primavera árabe”?</p> <p>Salil Shetty, secretário-geral de Amnistia Internacional – Em muitos dos países em transição, os ditadores partiram mas continuam as ditaduras. De modo que temos de seguir muito de perto esses lugares, independentemente de quem seja o presidente.</p> <p>Há algumas coisas a fazer o quanto antes. Em primeiro lugar, têm de esquecer o estado de exceção. A segunda é empreender uma reforma completa do aparelho de segurança. Precisamos de uma Constituição que respeite os direitos.</p> <p>Sem uma Constituição forte, que se centre não apenas nos direitos das maiorias, mas também nos das mulheres e das minorias religiosas como a dos coptas, será muito difícil construir o resto do edifício.</p> <p>Precisamos da Constituição, precisamos das instituições, precisamos da educação, porque estas coisas não podem mudar da noite para o dia, por tanto o novo presidente terá muito trabalho.</p> <p>Mas sou otimista. Em geral, foi uma mudança muito importante…se alguém pensava que ia ser fácil mudar algo que se construiu ao longo de décadas, enganou-se. Era pedir demasiado.</p> <p>euronews – Falemos agora do Conselho de Segurança, que na realidade, não tem mostrado nenhuma liderança na gestão da crise síria… como avalia o papel do Conselho de Segurança e, ao mesmo tempo a grave situação na Síria? </p> <p>SS – Milhares de pessoas morreram na Síria, antes do Conselho de Segurança decidir adotar uma tímida resolução para enviar alguns observadores militares para o terreno. </p> <p>A Amnistia Internacional estabeleceu claramente que as atrocidades em curso na Síria, constituem crimes contra a humanidade. </p> <p>Mas o Conselho não tomou nenhuma decisão, e não me refiro ao Tribunal Penal Internacional, falo das coisas mínimas que tinham de ser feitas e não se fizeram. Infelizmente, sabemos que a razão desta ineficácia se deve ao facto da Rússia ter interesses comerciais e militares na Síria, e a China apoia a Rússia. Também sabemos que isto não é precisamente um novo novo padrão de comportamento dos membros permanentes do Conselho de Segurança.</p> <p>Os Estados Unidos apoiaram a ditadura egípcia durante anos, os franceses apoiavam a tunisina. O que agora precisamos a sério é de uma mudança radical no modus operandi do Conselho de Segurança.</p> <p>Supõe-se que atuam em nome de todos os Estados membros de Nações Unidas, mas está claro que actuam só em função dos próprios interesses. </p> <p>euronews – Falemos agora do Ocidente. Tem sido um ano de protestos, muitas deles na Europa e nos Estados Unidos pelos problemas económicos da população. Que políticas teriam de mudar? </p> <p>SS – A população mais marginalizada e mais pobre é a que está a pagar as consequências da crise.</p> <p>Na Europa temos esta espécie de mania de fazer dos imigrantes e dos refugiados os bodes expiatórios, como se fossem a origem do problema. O que pedimos aos governos é que não deixem que esta crise económica se converta numa crise dos direitos humanos.</p> <p>Antes de cortar os orçamentos públicos e reduzir os serviços destinados principalmente aos mais desfavorecidos, têm de avaliar o impacto que essas medidas terão nos direitos humanos.</p> <p>Tanto se trata do direito à assistência médica como à água, à educação ou a uma habitação digna, têm de recordar que têm compromissos internacionais assinados sobre estas questões e que têm de o ter em conta desde o princípio.</p>