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Estudantes do Quebeque fazem Primavera do Plátano

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Estudantes do Quebeque fazem Primavera do Plátano

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Os estudantes do Quebeque, uma das dez províncias do Canadá, e muitos simpatizantes da causa, fazem concertos de caçarolas à noite para acordar o governo para a realidade de uma tensão crescente. Na madrugada de hoje, ninguém foi preso, numa tentativa de acalmar os ânimos, mas nos últimos dias, não só a polícia deteve centenas de estudantes como entrou em violentos confrontos. E tem aplicado multas astronómicas em mais de 100 dias de contestação.

O mal-estar começou em novembro do ano passado, quando o governo regional de Quebeque decidiu aumentar dramaticamente as propinas dos próximos cinco anos.

Os universitários têm de pagar, a partir de agora, três mil dólares por ano, em vez dos 1.800 atuais. Um valor próximo do que se paga nos Estados Unidos, mas muito superior ao europeu.

Em fevereiro, os estudantes entraram em greve e o movimento foi ganhando fôlego à medida que a intransigência dos deputados aumenta, e agora alastra a outros setores.

A tensão ficou ao rubro este mês porque, para travar os protestos, o primeiro-ministro Jean Charest decidiu aplicar uma lei de emergência.

A chamada Lei 78, exige que os organizadores das manifestações com mais de 50 pessoas comuniquem à polícia o lugar e o itinerário das marchas de protesto com oito horas de antecipação e proíbe que os manifestantes encubram o rosto.

A partir daí, o alvo direto dos contestatários passou a ser o primeiro-ministro.

Metade da população apoia o aumento das propinas mas reprova a lei de emergência. A maioria pensa que este braço de ferro é, na realidade, o julgamento de um sistema.

Como explica uma estudante:
“Normalmente somos muito pacíficos, mas isto é demasiado, estamos a chegar ao fundo”

Na verdade, a lei 78 não é a única causa das críticas ao governo tradicionalmente liberal do Quebeque.

As suspeitas de corrupção e de obscuros financiamentos políticos contribuiram para a queda em desgraça da política neoliberal do executivo de Charest depois de nove anos no poder.

Segundo a jornalista Anne-Marie Dussault, a população de Quequebe, opõe-se frontalmente ao que chama americanização:

“O que nos caracteriza é a vontade de ter uma sociedade justa, igualitária entre ricos e pobres, com acesso a creches e assistência social..são princípios universais”

Os estudantes prometem continuar esta a que já chamam a Primavera do Plátano.