Última hora

Última hora

Filha de Julia Timoshenko apoia boicote político do Euro2012 na Ucrânia

Em leitura:

Filha de Julia Timoshenko apoia boicote político do Euro2012 na Ucrânia

Tamanho do texto Aa Aa

Eugenia Timoshenko é a filha do líder da oposição ucraniana e ex-primeira-ministra condenada a sete anos de prisão. Eugenia deslocou-se, esta semana, a Estrasburgo, para a sessão em que o Parlamento Europeu aprovou a quarta resolução crítica do regime da Ucrânia, denunciando o que chama de justiça seletiva. A euronews falou com a filha de Julia Timoshenko, que já cumpriu 10 meses de prisão, começando por abordar o estado de saúde da política que sofre de hérnias discais e de problemas neurológicos.

Audrey Tilve/euronews (AT/euronews): “Tem tentado sensibilizar a comunidade internacional, a nível da imprensa e da diplomacia, para que pressionem o regime ucraniano. Refere que a saúde da sua mãe continua a degradar-se. Qual é o estado dela neste momento?”

Eugenia Timoshenko/filha Julia Timoshenko (ET/filha Julia Timoshenko): Infelizmente, no hospital onde ela está agora há uma grande pressão psicológica sobre os médicos, tanto do sistema prisional como dos procuradores públicos. Os médicos não conseguem fazer o seu trabalho e disseram, na semana passada, que o tratamento não vai ser bem sucedido devido a essas circunstâncias. Por isso, fazermos pressão para que ela tenha o direito de escolher o hospital e os médicos que deseja”.

AT/euronews: “Ela foi condenada a sete anos de prisão e pode ser condenada a mais 12 num segundo julgamento por desvio de verbas públicas e evasão fiscal. Também poderá vir a ser acusada de homicídio. Com tantas acusações, como pode ela do ponto de vista legal reverter ou pelo menos suspender esta situção?”

ET/filha Julia Timoshenko: “Até agora, o advogado dela não foi capaz de exercer toda a capacidade de defesa porque não teve meios para o fazer. Essas acusações não têm nenhuma base legal, porque no período a que se refere a acusação, ela não exercia funções na empresa, já tinha passado para a política. Do ponto de vista oficial, ela já não trabalhava lá e essas acusações não têm sentido. A acusação de homicídio é também um absurdo, querem com isso rotulá-la como uma criminosa grave na esperança de que o mundo fique chocado, mas não há indícios nenhuns que justifiquem essa acusação”.

AT/euronews: “Pensa que as eleições legislativas em outubro poderão mudar as coisas no seu país?”

ET/filha Julia Timoshenko: “Tal como a minha mãe, pensamos que estas vão ser as eleições mais sujas da história da Ucrânia e já vemos sinais disso com líderes da oposição de certas regiões a serem perseguidos e presos. Há uma enorme pressão das autoridades locais para votar em favor da presidência. A lei eleitoral já foi alterada tantas vezes que é impossível realizar eleições livres e justas”.

AT/euronews: “De que é que precisam? Observadores internacionais ou algo mais?”

ET/filha Julia Timoshenko: “Precisamos que haja um verdadeiro estado de direito e justiça, uma verdadeiro respeito pela democracia por parte dos altos líderes, o que não acontece agora. Por agora, apenas pedimos que a Europa ou toda a comunidade democrática envie observadores não apenas para as eleições, mas também para o período de campanha eleitoral.”

AT/euronews: “Consideraria a hipótese de se candidatar?”

ET/filha Julia Timoshenko: “Não, não quero fazer parte do processo político, não sou um política .”

ET/filha Julia Timoshenko: “Mas é um símbolo, tal como a sua mãe tem esse lado simbólico.”

ET/filha Julia Timoshenko: “A minha mãe é um símbolo, eu sou apenas a sua mensageira. Tenho uma missão diferente, a minha missão é defendê-la o mais que posso, explicar o que realmente se passa na Ucrânia a quem quiser ouvir e estou muito feliz por ter tido a oportunidade de o fazer aqui”.

AT/euronews: “Boicotar o campeonato europeu de futebol seria justo para o povo ucraniano? Não seria puni-los também?”

ET/filha Julia Timoshenko: “Os ucranianos, em especial aqueles que como a minha mãe lutaram por reformas democráticas na Ucrânia de forma a receber celebrações desportivas europeias como esta, nunca defenderiam um boicote ou o isolamento da Ucrânia. Mas tal pode resultar das ações do atual regime no poder na Ucrânia. O que temos de distinguir é entre o boicote político e o boicote desportivo. O boicote político signidica que líderes políticos europeus decidam protestar, não apertando a mão nem tirando fotografias com o presidente Yanukovich. Isso mostra ao mundo que não aceitam a forma de agir do regime, a repressão que exerce sobre os seus opositores”.

AT/euronews: “Mas não quer que os jogos sejam cancelados?”

ET/filha Julia Timoshenko: “Claro que acho que o evento desportivo deve ser realizado e que as pessoas se devem divertir. Penso que ainda há uma janela de oportunidade para que Yanukovich altere a situação e que use os poderes constitucionais que tem para resolver esta crise. Se o vai ou não fazer, depende apenas dele”