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Rússia impede intervenção forte na Síria

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Rússia impede intervenção forte na Síria

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O massacre de Houla fez 108 mortos, entre eles 49 crianças, e ainda deixou 300 pessoas feridas. A tragedia síria voltou a indignar a comunidade internacional e a condenação é unânime. As Nações Unidas recriminam o ataque e apontam o dedo ao regime de Bashar Al-Assad. Mas, mais uma vez, há uma voz dissonante: A Rússia defende que os rebeldes opositores do regime também podem ter culpa.
 
“Quais são os interesses que este tipo de ataques serve? Pode ter sido provocação. Podem ser elementos infiltrados. Tudo tem de ser investigado”, alerta Alexander Pankin, embaixador russo na ONU.
 
Os observadores da ONU no terreno deviam controlar o cessar-fogo negociado no início de abril, mas não conseguiram fazer mais do que confirmar o massacre e contar os mortos do último fim de semana.
 
Na rua, os capacetes azuis são criticados e vistos como desnecessários pelos sírios. Tudo porque o cessar-fogo conseguido há mês e meio por Kofi Annan, o responsável da ONU no conflito sírio, já foi várias vezes violado.
 
A China, tal como a Rússia, condenou o massacre, mas também não atira as culpas para o regime de Bashar Al-Assad. Moscovo, aliás, continua a defender o diálogo envolvendo as duas partes em conflito: o governo e os rebeldes.
 
A crise na Síria dura há mais de um ano. Mais de 15 mil pessoas já morreram no conflito. Só no último mês e meio, desde a entrada em vigor do cessar-fogo, morreram 2 mil. Cerca de 1200 eram civis. Todos os dias milhares de sírios enfrentam o perigo, mas a possibilidade de uma intervenção internacional forte no conflito parece estar ainda longe.
 
A Rússia é um dos bloqueios. Aliás, tanto os russos como os chineses, embora tenham aprovado um texto não vinculativo contra os bombardeamentos em Houla, recusam responsabilizar apenas o Governo pelas violações do cessar-fogo e defendem o diálogo.
 
É uma forma de a Rússia defender a posição que detém na região. A eventual queda do regime de Assad provocaria o caos no país, alertam os russos. Mas é óbvio que há interesses. Em 2005, Vladimir Putin limpou 70 por cento das dívidas da Síria e seguiram-se contratos de armamento entre os dois países.
 
A estratégia de Moscovo passa também pelo porto de Tartous, que utiliza como ponte para o Mediterrâneo. As preocupações do presidente russo estendem-se ainda para lá da Síria porque a queda do regime de Bashar Al-Assad iria enfraquecer o Irão. E se os investimentos russos na Síria são grandes, no Irão são enormes.