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Chafik provoca revolta nos egípcios

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Chafik provoca revolta nos egípcios

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O islamita Mohamed Morsi e o antigo primeiro ministro de Hosni Mubarak, Ahmed Chafik, estão confirmados para a segunda volta das presidenciais no Egito. O resultado deixou milhares de pessoas atordoadas. A sede de candidatura de Chafik foi mesmo atacada. E a mítica praça Tharir voltou a encher-se.

Até à segunda volta, marcada para 16 e 17 de junho, vão ser mais 18 dias de mobilização.

Os egípcios não querem voltar atrás. Prometem lutar pela democracia e não deixar que tenham sido em vão os mais de 800 mortos e cerca de 7 mil feridos provocados pelo fim do regime de Mubarak.

Os jornais egípcios desta terça-feira davam eco da confirmação dos resultados eleitorais da primeira volta. E os egípcios reagiram com indignação. “Todas as pessoas que estão na praça, e eu sou uma delas, não são afiliadas de qualquer partido. Mas precisamos de ver o nosso país com uma imagem positiva. Não precisamos que os restos do antigo regime voltem a surgir à frente do Egito”, afirmou um dos presentes na praça Tahrir.

A 11 de junho, os tribunais vão pronunciar-se sobre uma proposta de lei que prevê a proibição de membros do antigo regime de Mubarak de se candidatem a eleições. E isso poderá desqualificar Ahmed Chafik. Até lá, porém, um dos candidatos na corrida presidencial é precisamente o antigo primeiro-ministro. O povo clama pela decisão positiva dos tribunais. “Queremos implementar a lei que proíbe o antigo regime de Mubarak de concorrer à presidência”, gritou outro egípcio, na praça Tahrir.

Ahmed Chafik foi primeiro-ministro no antigo regime apenas por 3 meses. Esteve no lugar entre janeiro de 2011 e a queda de Mubarak. Mas antes já havia sido ministro da força aérea e comandante militar. Chafik tem historial no regime de Mubarak e isso não é tolerável para muitos egípcios.

Os ativistas pró-democracia estão, desta forma, obrigados a votar no candidato da Irmandade Muçulmana, Mohamed Morsi. Só assim evitam o eventual regresso de um regime militar ao Egito. Mas essa é também uma fonte de preocupação para muitos. Ainda assim, parece ser a única solução.

As sondagens iniciais que indicavam um duelo na segunda volta entre o antigo chefe da Liga Árabe, Amr Moussa, e o islâmico moderado Abdel Fotouh, saíram ao lado. A abstenção foi alta. Mais de 50 por cento dos egípcios faltaram à chamada, na primeira volta. E, olhando ao confronto anunciado, na segunda volta será ainda maior.

Mais do que nunca, os egípcios sentem-se roubados. Mas a luta, garantem, não para por aqui. “Mais um ano ou dois e nós começamos outra revolução. A maior de todas”, promete uma egípcia.