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Espanha: O retrato de uma crise

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Espanha: O retrato de uma crise

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Nos dias que correm, Espanha concentra as atenções e os receios com a crise do euro. Madrid, fortemente endividada e a ser obrigada a socorrer bancos e regiões, está a sofrer uma forte pressão no mercado.

A bolsa está em queda, os dados económicos negativos acumulam-se e o governo vê agravarem-se as condições de financiamento. As taxas das obrigações a dez anos rondam os 6,5%, próximas do nível considerado insustentável de 7% que levou países como Portugal a pedir ajuda internacional. Já os prémios de risco da dívida espanhola face à alemã atingem o valor mais alto de sempre, superando os 500 pontos.

Enrique Quemada, analista da One to one Capital Partners, explica que “os prémios de risco em Espanha estão a subir por causa do receio face ao sistema financeiro espanhol. Em 2008, os governos norte-americano e britânico regularam o sistema financeiro, injetando dinheiro público nos bancos. Agora, finalmente, em Espanha, o dinheiro público está a ser injetado nas instituições financeiras, os bancos estão a ser nacionalizados e essas são notícias positivas”.

Em plena recessão, Madrid viu-se forçada a salvar o Bankia. A fatura com a nacionalização do banco será a maior de sempre em Espanha. Vai superar os 23 mil milhões de euros e pesar fortemente nas contas públicas, que já derraparam em muito por causa das dívidas das regiões.

Os analistas temem que o Bankia não seja caso único e que Espanha seja obrigada a pedir ajuda para resgatar o sistema bancário. Uma hipótese rejeitada várias vezes pelo primeiro-ministro. Mariano Rajoy diz que “o problema dos espanhóis é a gigantesca dívida e é essa dívida que é difícil de refinanciar neste momento”.

Em Bruxelas, a situação inquieta.

A Comissão Europeia segue de perto o dossiê de resgate do Bankia, já que um pedido de ajuda de Espanha deixaria a União em situação complicada. Os europeus não teriam meios financeiros suficientes para resgatar a quarta maior economia da zona euro.

A ausência de meios é criticada pelo Banco Central Europeu, que se vê chamado de novo a intervir para aliviar a pressão sobre Madrid e salvar o euro, que continua a cair para mínimos de dois anos.