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Irlanda: um "sim" realista

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Irlanda: um "sim" realista

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Os irlandeses votaram “Sim” ao Pacto de Estabilidade Europeu, a “regra de ouro”. É a terceira vez em quatro anos que os eleitores deste pequeno país, membro fundador do Euro, se pronunciam num tratado europeu, no passado ousaram dizer “Não”, desta vez estiveram de acordo.

A pressão era enorme: todos os olhos estavam postos em Dublin, o bom aluno entre os três países da zona euro submetidos a uma cura radical de austeridade, em troca de ajuda internacional.

Este ano, Dublin deverá poupar 4.200 milhões de euros para cumprir os compromissos com a UE e com o FMI.

O resgate financeiro da Irlanda, ativado em 2010, após o colapso da banca, termina em 2013.

Dublin pretende voltar aos mercados financeiros nessa altura. Alguns sinais são positivos: os depósitos nos bancos irlandeses está em alta.

Mas os rendimentos da dívida a curto prazo sofrem um aumento acentuado, ou seja, os mercados financeiros apostam em Dublin que vai necessitar de um segundo resgate. Um argumento defendido por esta analista.

Megane Green. Analista do Roubini Global Economics:

“A Irlanda deve refletir sobre sua posição na Europa, especialmente agora que alguns países vão sair da zona euro. Todo o modelo de crescimento irlandês se baseia em empresas multinacionais que estabelecem sede em Dublin.”

Apesar das medidas de austeridade, a economia irlandesa alcançou um crescimento fraco em 2011, as empresas continuam a comprar bens e serviços, mas no primeiro trimestre de 2012 as exportações estagnaram. A situação permanece frágil.

A dívida pública é muito alta, 116% do PIB, o défice previsto para este ano é de 8,3% e o crescimento é de apenas 0,5% do PIB. O desemprego permanece estável a rondar os 14%.

Mais do que o suficiente para aqueles que votaram “Não” ao Pacto de Estabilidade Europeu dizerem que as medidas de austeridade não funcionam:

Tony Morgan. Comerciante:

“As pessoas não estão contentes com a austeridade, nem com os cortes. Depois do que aconteceu nos últimos três ou quatro anos, é uma deceção, um total descrédito de todo o sistema.”

Mas os defensores do “Não” não conseguiram convencer a maioria do povo irlandês, que acredita que o país terá dificuldades em se financiar fora do Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira, apesar de não concordar com a austeridade.