Última hora

Última hora

À procura da unidade espiritual

Em leitura:

À procura da unidade espiritual

Tamanho do texto Aa Aa

Enquanto o Sol nasce no Cazaquistão, numa mesquita em Astana começa uma busca. Milhares de pessoas juntaram-se na capital para ajudar nessa procura.

Durante dois dias Astana tornou-se no foco para muitos religiosos. Gerações uniram-se aos seus líderes espirituais partilhando uma visão e esperança global.

Um participante afirma: “Procuramos mais paz e harmonia no mundo.”

O palácio da paz e da harmonia, em forma de pirâmide, recebe o 4º congresso dos líderes das religiões tradicionais.

A sua estrutura moderna contrasta com a Igreja russa Ortodoxa da cidade, onde o patriarca conduz um serviço antes da abertura do congresso.

Sob o tema Paz e Concórdia como escolha da Humanidade, os delegados concordaram que a espiritualidade pode ser um mecanismo para a resolução dos problemas do nosso mundo.

O rabino-chefe de Israel, Yona Metzger explica:

“O meu sonho é construir – como as Nações Unidas, em Nova Iorque, para os diplomatas – uma entidade que una as pessoas religiosas, os líderes religiosos de todas as nações, todos os países até mesmo aqueles que não têm relações diplomáticas.”

Mas como pode, uma organização de Fé múltipla ajudar a resolver os conflitos no mundo, muitos deles criados em nome das religiões?

“Todos os líderes religiosos pedem paz de espírito e concordância e essa é uma das vitórias deste congresso”, afirma o Grande Mufti do Cazaquistão, Absattar Hajji Derbisali.

O papel dos líderes religiosos no crescimento sustentável foi questionado. Como podem eles ajudar pessoas que se debatem com a crise?

”Com a situação que se vive no momento, com a crise económica, as pessoas perguntam-se: para que serve tudo isto? Porque nos preocupamos? O que é afinal a vida? Quando falamos de valores, em que é que eles se baseiam? Temos que responder a questões práticas entre elas como conseguir o pão para amanhã. Mas também questões existenciais. Penso que é esse tipo de coisas que estamos a tentar identificar aqui”, adianta o Bispo de Bradford, o reverendo Nick Baines.

O Presidente do Cazaquistão fala do país como exemplo:

“O primeiro exemplo do Cazaquistão é que temos 140 nações que vivem aqui, de 46 religiões diferentes, em Astana há sinagogas, templos, igrejas, etc. as pessoas podem assistir, livremente às celebrações religiosas, expressar, livremente os seus valores espirituais. Em segundo lugar o Cazaquistão mostrou ser um exemplo para o mundo com o desarmamento nuclear.”

Foi aqui, na vasta estepe da Ásia central, que foram plantadas as sementes do espírito do Cazaquistão mas foi também aqui que, nos anos 30, o ditador soviético Joseph Estaline largou milhões de judeus, chechenos… Os que sobreviveram devem as suas vidas às pessoas do Cazaquistão que os receberam de braços abertos demonstrando que as diferenças podem unir e não dividir.

Almira Isakova–Lee e Alexander casaram há alguns anos. Vivem no centro de Astana e têm algo a dizer sobre os temas que foram discutidos no congresso. Acreditam que o Cazaquistão é um país que lhes proporciona estabilidade para crescerem juntos.

Almira Isakova-Lee, explica:

“Eu sou cazaque, ele é coreano e estamos juntos. Termos diferentes religiões não nos impediu de nos apaixonarmos um pelo outro. Cozinhamos pratos das duas culturas e também outros nacionais. Na minha opinião o mais importante não é a religião da pessoa mas o seu caráter.”

Dos pastores aos padres até ao próprio presidente, todos assistem a um concerto que fecha o congresso e pensam, com certeza, no futuro. Mas as pessoas de Astana também gostam de viver no presente. E nós saímos noite dentro, em Astana, no próximo Kazakh Life.