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Células de combustível para dispositivos portáteis

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Células de combustível para dispositivos portáteis

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O francês Thomas Ruyant já percorreu muitas milhas em regatas internacionais. Para chegar a bom porto, o velejador conta com a ajuda de dispositivos eletrónicos a bordo. A energia dos aparelhos vem das células de combustível com alimentação direta de metanol.

Estas células de combustível, mais leves, são produzidas num laboratório de Munique, na Alemanha. Foram concebidas para abastecer dispositivos electrónicos portáteis e são classificadas como mais leves, autónomas e duradouras do que as baterias tradicionais.

“Neste laboratório são construídas células de combustível 80 por cento mais leves do que as tradicionais”, constata o jornalista da euronews, Claudio Rocco.

O primeiro a desenvolver e comercializar estas células de combustíveis para aparelhos portáteis, com alimentação direta de metanol, foi o engenheiro alemão Manfred Stefener. A sua ideia, nos anos 90, consistiu, basicamente, em substituir o hidrogénio pelo metanol.

Como combustível, este composto químico tem diversas vantagens em relação ao hidrogénio – é quatro vezes mais denso; é líquido à temperatura ambiente e facilmente transportável e armazenável, reduzindo o peso das baterias.

“O metanol é um líquido combustível com uma elevada densidade de energia e pode ser transportado muito facilmente”, explica Stefener. “Por isso, é muito mais fácil que as células de combustível pequenas usem metanol em vez de hidrogénio para serem transportadas, caberem nos pequenos cartuchos ou garantirem células de combustível mais duradouras.”

Depois da primeira invenção, Stefener foi mais longe. Criou outra célula de combustível alimentada por gás natural. O objetivo é fazê-la entrar nas casas dos consumidores, para produzir eletricidade. Stefener garante que se fazem poupanças, além de se poupar o ambiente, ao reduzir as emissões de CO2.

O inventor explica: “A célula de combustível recupera gás natural da rede e produz eletricidade que cobre cerca de 40 a 60 por cento das necessidades totais de uma casa europeia típica e também abrange as necessidades totais de água quente dessas casas.”

Aos 42 anos, Manfred Stefener é um dos nomeados para o Prémio Inventor Europeu, organizado pelo Instituto Europeu das Patentes, que será atribuído a 14 de Junho, em Copenhaga.

Tudo começou com uma conclusão durante o doutoramento, descreve o investigador. “Durante a minha tese de doutoramento, que iniciei em 1997, na Universidade Técnica de Munique, apercebi-me que os veículos alimentados a hidrogénio – que todos queriam nessa altura – não estavam preparados para a comercialização porque eram muito caros e não existiam estruturas de hidrogénio. A minha ideia consistiu em fazer células de combustível para dispositivos mais pequenos com um fator de potência mil vezes inferior.

Agora, o sentimento é de orgulho face ao uso da sua invenção. “As células de combustível de metanol, que inventei há 15 anos, são o primeiro produto comercial no mercado. Claro que é um sentimento muito satisfatório as pessoas estarem a usar produtos baseados na invenção que fiz há muitos anos.”

Stefener está convencido que as células de combustível podem ser uma fonte de novas ideias para responder à procura crescente de energia.