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A Barca Russa

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A Barca Russa

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Viajar, através das imagens, pelas cidades russas… Outrora, um génio da sétima arte fê-lo com um único plano-sequência, num museu de São Petersburgo (“A Arca Russa”, de Sokurov). Agora, propomos uma viagem a Moscovo, com a câmara na proa.

Descobrir a capital russa a bordo de um barco é a opção favorita de muitos turistas. Os monumentos desfilam nas margens e os passageiros poupam os esforços para outras andanças.

“Foi o Rio Moscovo que deu o nome à cidade construída no século XII. Hoje, o rio oferece algumas das melhores vistas panorâmicas que resumem a história e a modernidade da capital russa”, descreve o jornalista da euronews,
Denis Loktev.

Na margem sul, fica o centro do poder político da Rússia. O Kremlin foi construído em 1156 para ser a fortaleza central de Moscovo. Trata-se de uma página incontornável da história da arte, que combina os estilos bizantino, barroco e o neoclássico. Lá dentro, uma série de edifícios majestosos, como o Grande Palácio ou a torre do sino de Ivan o Grande.

As cúpulas douradas das catedrais ortodoxas decoram as margens do rio. É o caso do convento Novodevichy. Classificado pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade, o monumento manteve-se praticamente inalterado desde o século XVII.

Dados sobre Moscovo

  • A primeira referência a Moscovo data de 1147
  • É a cidade mais populosa da Europa, com mais de 11 500 000 habitantes
  • A temperatura média é de -6°C no Inverno e de 18°C no Verão
  • O salário médio é de 1000 euros
  • Moscovo tem o maior número de bilionários do mundo e foi considerada a quarta cidade mais cara do planeta

Durante a era soviética, os edifícios do convento foram transformados em museus e apartamentos. Nos anos 90, as freiras puderam regressar e a vida religiosa retomou o seu rumo. É o que conta a abadessa Margarita: “Depois de décadas difíceis para o nosso país, houve uma altura em que o povo russo teve a oportunidade de repensar a vida, de olhar para a história, tirar as conclusões adequadas e recomeçar a rezar.”

Um local de recolhimento e meditação, mas também um espaço para descobrir algumas relíquias do barroco.

A viagem de barco continua até à Universidade de Moscovo. A instituição académica mais conhecida da Rússia atrai dezenas de milhares de estudantes de vários países. A universidade é um dos sete arranha-céus construídos sob as ordens de Estaline. A torre atinge 240 metros e tem 36 andares.

Outro exemplo, deste estilo sumptuoso, é o Hotel Ucrânia, agora gerido por uma cadeia de hotéis de luxo. O Ucrânia tem uma coleção de arte de mais de mil quadros de artistas soviéticos da primeira metade do século XX e um diorama, ou seja, uma representação muito realista da cidade de Moscovo, elaborado em 1977.

A herança cultural espreita a cada esquina. Os restaurantes rivalizam pelos melhores pratos de gastronomia russa. As composições variam em torno de uma grande variedade de peixes, aves, cogumelos, bagas e mel.

O maior “pulmão” da cidade é o Parque Gorky que se transformou num dos locais favoritos da juventude moscovita. Nos anos que se seguiram à era soviética, o parque foi usado para feiras populares e outras atrações. Os tempos são outros e o jardim é agora palco de aulas de Yoga, de partidas de petanca e de sessões de cinema ao ar livre

“Antigamente só se podia usufruir das atrações, comer pipocas e doces e era tudo”, relembra a diretora do parque, Olga Zakharova. “Agora, o parque está completamente diferente. Tem um programa cultural rico que atrai um público muito diferente”, conclui.