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Hi-Tech: Dinamarca empenhada no combate aos problemas auditivos

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Hi-Tech: Dinamarca empenhada no combate aos problemas auditivos

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Estima-se que até 10% da população europeia venha a sofrer de graves problemas auditivos a certa altura da vida. A idade será o principal fator, mas o ruído também terá um impacto negativo. Os profissionais da indústria da música estarão entre os mais afetados.

Em 1989, na pequena cidade de Lynge, próximo de Copenhaga, nasceu uma nova geração de aparelhos auditivos, relativamente barata e fácil de produzir.

No passado, eram feitos à mão, mas provocavam inflamações e irritações no canal auditivo. Por isso, os investigadores dinamarqueses decidiram usar gráficos computorizados para desenvolver aparelhos que se ajustassem na perfeição às especificidades de cada utilizador. Esta tecnologia é agora a base de quase todos os aparelhos auditivos produzidos no mundo.

O engenheiro dinamarquês Jan Thopolm é o cérebro desta tecnologia. Diz que todas as decisões são tomadas pelo computador: “Há um melhor ajustamento ao ouvido, o que é fundamental. O aparelho tem de estar justo, de outra forma a audição será fraca. Assim pode criar-se uma concha que encaixa no ouvido muito melhor do que com o método antigo. O computador pode decidir tudo. Pode decidir onde se colocam os componentes.”

O processo de produção começa com a ajuda de um scanner que capta o molde da orelha do utilizador. Surge então uma imagem a três dimensões, que os técnicos poderão facilmente manipular.

Com base neste modelo, um laser vai moldar um plástico especial, colocando capa atrás de capa, num total de cerca de 250 camadas. No espaço de três horas, o aparelho está pronto.

Por fim encaixam-se os componentes eletrónicos. Este tipo de aparelhos melhorou substancialmente a qualidade de vida de muitos utilizadores, como
Jeppe Ring Laursen: “A minha vida mudou. Agora consigo ouvir. Não é uma audição natural, mas é muito melhor poder ter um trabalho normal, os meus amigos, sair pela cidade. A última coisa que faço ao final do dia é colocá-los na mesa ao lado da cama. Ao acordar o primeiro movimento é inseri-los nos ouvidos e ligar o aparelho. Preciso deles para viver.”

Jan Thopolm, de 65 anos, passou quase toda a vida a investigar aparelhos auditivos. Trabalha na fábrica criada pelo pai. Está entre os nomeados para o Prémio do Inventor Europeu, organizado pelo Instituto Europeu de Patentes, e que será entregue em junho, em Copenhaga.

“Se conseguirmos encontrar uma área que não foi explorada e se conseguirmos encontrar algo de novo, isso funciona de verdade, para as pessoas com problemas auditivos e para nós. Sentimo-nos bem. Julgo que estamos bem posicionados para continuar a desenvolver outro tipo de invenções. Esta foi importante, mas fizemos muitas outras”, diz Jan Topholm, inventor.

Atualmente milhões de pessoas em todo o mundo beneficiam da invenção de Jan Thopolm. Mas a inovação é palavra de ordem e de momento Thopolm não pensa reformar-se.