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Os russos vão salvar a Grécia

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Os russos vão salvar a Grécia

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A três dias das eleições cruciais na Grécia, o clima é de incerteza sobre o futuro. Há já um setor económico particularmente afetado: o turismo.

As receitas do primeiro trimestre afundaram-se 15%.

Apostolos, empregado de mesa com 57 anos de profissão, trabalha numa das ruas mais conhecidas de Atenas.

Apostolos Georgilis:

“- Nunca vi uma situação como esta. A Grécia nunca passou por uma coisa assim. Recorda-me o tempo da ocupação”.

O setor representa 15% do PIB e dá trabalho a um em cada trabalhador no ativo. Só que muitos turistas continuam reticentes em visitar a Grécia, principalmente os alemães, que eram os mais assíduos.

Stegner Jurgen. Turista alemão:

“- Evitamos vestir como alemães, porque neste momento acho que não estamos muito bem vistos”.

As relações entre os dois países tornaram-se mais problemáticas quando começaram os problemas financeiros da Grécia. Parte da população acha que Alemanha é a culpada de todos os males. Na aldeia de Distomo, onde os nazis foram autores de um massacre em 1944, o espectro de uma nova ocupação, desta vez económica, ressurgiu em força.

Nikos Papaleonidas:

“- Todos estes planos de regate e troikas foram trazidos pelos alemães. Eles trouxeram a troika que nos asfixia, nos prende e nos deixa à fome. Muitos estão à fome.

Ilias Nicolaou:

“- 68 anos depois, a Alemanha é, de novo, culpada pela horrível situação em que estamos. No passado foi a guerra, o Terceiro Reich, agora é com armas económicas. A Alemanha tem 70% de culpa”

No entanto, os alemães não são os que tiram maior partido da crise grega. São os russos que estão a investir, principalmente no setor imobiliário. Os preços cairam mais de 30%.

Yannis Revithis. Presidente da Federação de Agentes Imobiliários gregos:

“- Os compradores russos triplicaram a procura no setor imobiliário, e, inclusivamente, no setor turístico”

Uma ocupação que não parece afetar os gregos, pelo contrário.

Os investidores russos que não temem a eventual saída do país da zona euro, são recebidos de braços abertos, como potenciais salvadores de uma economia moribunda.