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Protestos das vítimas da crise em Espanha

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Protestos das vítimas da crise em Espanha

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Os protestos repetem-se diariamente, por toda a Espanha. As imagens são de Terrasa, perto de barcelona. Os vizinhos opõem-se à tentativa de expulsão de Ghailil Anzeroval. Segundo a Associação de Afectados pela execução de hipotecas, em cinco anos houve mais de 350 mil expulses de casa em Espanha, 82 delas foram de famílias com filhos menores.

Ghailil trabalhava na construção e era um imigrante em situação legal. A banca propôs-lhe um empréstimo para comprar um apartamento e poder trazer a família. Quando eclodiu a crise imobiliária, perdeu o emprego e agora pode perder a casa.

Ghailil Anzeroval:
“- Quero trabalhar. Quero pagar a minha hipoteca”

Em Terrasa, outros desalojados, muitos deles no desemprego, decidiram ocupar um edifício novo que pertence ao mesmo banco que procedeu à ação de despejo.

Foram abrangidas 12 famílias, entre elas, a de Elhadji Dijame. Originário do Senegal, trabalhava como representante da SEAT, mas a crise deixou-o no desemprego. Sente-se enganado pelo banco, que se negou a renegociar seu empréstimo.

Elhadji Dijame:

“- Eles não queriam negociar. A única coisa que queriam fazer era dar mais um crédito por dois anos para aguentar a hipoteca…e eu não saberia como sair do poço.”

Os pequenos acionistas do Bankia sentem-se todos expoliados. Resultado da fusão de vários outros bancos, o Bankia apareceu em 2011. Não levou muito tempo a anunciar um buraco financeiro de em 23,5 mil milhões de euros.

O pequeno acionista Manuel Pizarro está desolado:

“- Telefonaram-me para casa e asseguraram-me que era um bom investimento. Disseram-me que as ações ficavam a um preço abaixo do real. Achei bem e investi 18 mil euros. Passados 8 ou 9 meses desapareceu tudo, sinto-me defraudado porque a informação não foi clara e realista quanto ao comportamento da banca.”

O resultado é que muitos espanhóis consideram uma injustiça que os bancos sejam salvos por um plano de resgate europeu de 100 mil milhões de euros que vai agravar a dívida soberana e aumentar o défice público…ou, o que é o mesmo, a população vai ter de pagar pelos bancos.