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Grécia: Um pouco de alívio, mas muitas dúvidas

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Grécia: Um pouco de alívio, mas muitas dúvidas

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O partido conservador Nova Democracia voltou a vencer as eleições na Grécia por um pequena margem face à coligação radical de esquerda, Syriza.

Cabe, por isso, a Antonis Samaras tentar de novo formar um governo de unidade nacional com outros partidos, já que o Syriza promete fazer forte oposição.

Os eleitores ouvidos pela euronews continuam cépticos sobre o futuro próximo do país, asfixiado economicamente.

“Eu não espero nada deste governo. É o mesmo que nos conduziu a esta situação, de um acordo com a troika e medidas de austeridade”, disse um ateninense.

“Estamos à espera que se forme um novo Governo. Mas a força da Grécia reside nos próprios gregos. Este resultado não me satisfaz e só esperamos não sermos obrigados a enviar os nossos filhos para outros países da Europa”, é a opinião de outra habitante da capital grega.

Líderes europeus e analistas políticos dizem que a Grécia deu um sinal de compromisso com o projecto da União Europeia. Resta saber se, nas difíceis negociações que se avizinham, Atenas vai conseguir agradar a gregos e a troianos.

Nikos Konstantaras, editor do jornal diário Kathimerini, analisou o resultado das eleições com a correspondente da euronews, Laura Davidescu. O jornalista começou por elencar quais devem ser as prioridades do futuro governo.

“Tem de trabalhar imediatamente na criação de um clima de estabilidade política e mostrar que veio para ficar. Tem de se tornar evidente que algo mudou, que há um governo que vai dialogar com os parceiros estrangeiros. Um governo que vai encontrar uma forma do país seguir em frente, resolvendo os problemas internos e com os nossos parceiros’‘, disse.

Sobre qual a melhor forma de avançar no caderno de encargos das reformas e medidas de austeridade, Nikos Konstantaras defende um “reenquadramento”.

“Há que retirar o fardo aos mais fracos, que têm feito todo o esforço, e forçar os mais ricos a pagar. Não é difícil pensar sobre o que precisa ser feito: reformar o sistema fiscal, tornar os tribunais mais eficientes, bem como a administração pública. É um projeto de muito longo prazo, mas tem que se começar imediatamente porque já vamos tarde. A austeridade vai resultar se for aplicada junto da população certa e as reformas também terão mais apoio se as pessoas sentirem que os sacrifícios não são em vão e que não são os únicos a carregar o fardo.’‘

No que respeita ao diálogo do futuro governo com a União Europeia, sobretudo os 17 da zona euro, o editor considera que tem de haver mais respeito mútuo.

‘‘A Grécia tem de chegar à cimeira e dizer que tem um compromisso sério com a União Europeia. Há um novo governo que representa a vontade do povo. Pode haver uma oposição muito forte ao resgate, mas todos somos a favor da Europa. Queremos ser parte das mudanças que estão em curso, mas também queremos que olhem para nós e vejam os problemas que surgem quando uma sociedade sofre o grau de pressão inflijida aos gregos”, explicou.