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Rio+20: contra-relógio para salvar o planeta?

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Rio+20: contra-relógio para salvar o planeta?

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Com a revolução industrial, o mundo ocidental iniciou um processo de uso intensivo dos recursos naturais para produzir crescimento e bem-estar, com elevados níveis de consumo.

Apenas nas últimas duas décadas, a população urbana aumentou 45%, as emissões de carbono cresceram 40% e perda de biodiversidade disparou 30%, segundo dados das Nações Unidas.

Muitos dos recursos naturais estão em regiões onde a população não recebe os benefícios, como Ásia, África e América Latina.

Um desenvolvimento mais sustentável e a erradicação da pobreza foram os temas da primeira Cimeira da Terra, em 1992, no Rio de Janeiro, Brasil. Mas para algumas organizações de defesa do ambiente, o cenário está mais negro.

“Neste momento somos escravos dos sistemas económico e financeiro. Fazemos deles os nossos donos. Em vez de usarmos as finanças e a economia para nos ajudar a alcançar a prosperidade e o bem-estar a longo-prazo, somos os servos dos sistema financeiro”, disse Tony Long, director da WWF Europa.

Uma nova conferência da Terra, no Rio de Janeiro, discute de 20 a 22 de Junho, um conceito recente: economia verde. No núcleo estão setores como as energias renováveis ​​e a reciclagem. Mas alguns temem que o planeta sairá de novo prejudicado.

“A maioria das empresas mundiais já tem um poder económico superior ao dos Estados. Devemos deixá-los fazerem o que querem, ou não? Devemos deixá-los transformarem a natureza em mercadoria só porque precisam de conquistar mais mercados financeiros, ou não?”, argumentou Martin Pigeon, investigador do European Corporate Observatory (Observatório Europeu das Corporações, que vigia os grupos de pressão económica).

Economias emergentes como a Índia e a China, que são cerca de um terço da população mundial, sonham com o progresso e estão a crescer rapidamente. O ocidente pede-lhes para não seguirem o modelo anterior, mas estão relutantes em dar em troca o apoio pedido: entre 20 mil milhões e 80 mil milhões de euros por ano.

A Comissão Europeia vai participar na conferência Rio +20 com uma delegação de seis membros do seu executivo. O líder das negociações é Janez Potocnik, responsável pelo Ambiente, que falou à correspondente da euronews em Bruxelas, Isabel Marques da Silva, antes de partir para o Rio de Janeiro.

Face à pergunta sobre se a UE tinha aprendido lições com o passado, Potocnik disse que as políticas atuais são prova disso: “Levamos muito a sério questões como as alterações climáticas e a eficiência de recursos, sobre a qual tentamos agora colocar em prática uma política que considero forte e credível. Sejam países com muitos recursos ou países com recursos escassos; no final compartilhamos o mesmo destino. Todos temos de mudar os nossos padrões de consumo e produção, de forma a poderemos ter um bom futuro num planeta que é de todos”.

Face à divisão de posições entre países desenvolvidos e países em vias de desenvolvimento, o comissário europeu para o Ambiente reconheceu que há um caminho longo a percorrer.

“Temos que entender que na parte mais desenvolvida do mundo, as mudanças necessárias são bastante mais difíceis. Isso, porque estamos bloqueados por modelos de negócio, de infraestrutura e de visão económica que temos de mudar. Na parte do mundo em desenvolvimento, ainda têm a possibilidade de dar um passo em frente ao nível tecnológico e de evitar no futuro alguns dos erros que temos feito”.