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Espanha sem "verão azul"

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Espanha sem "verão azul"

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Espanha vai viver um verão ainda mais quente do que o habitual. Os termómetros financeiros estão ao rubro, mesmo depois de os resultados das auditorias externas terem arrefecido ligeiramente os ânimos.

Os testes de stress realizados pela Oliver Wyman e a Roland Berger trabalharam sobre dois possíveis cenários, mas os especialistas só estão a considerar o mais gravoso, isto é, colocando a queda do PIB espanhol na ordem dos 6,5 por cento.

O ministro da Economia, Luis de Guindos, declarou serem dados “importantes para apurar a situação real do país, eliminando as incertezas sobre o setor bancário espanhol.”

As estimativas das auditorias situam a necessidade de ajuda à banca num intervalo entre os 51 e os 62 mil milhões de euros. Isto prevendo que os bancos possam perder mais de 250 mil milhões de euros, até porque, neste cenário, o valor das propriedades imobiliárias cai cerca de 60 por cento.

No entanto, só em setembro é que será possível perceber melhor a dimensão do buraco financeiro da banca espanhola, quando terminar outra auditoria que está em curso, efetuada por quatro empresas independentes.

O Banco de Espanha assegura que as três maiores instituições, o BBVA, o Santander e o Caixabank, não vão precisar de assistência, depois da intervenção urgente sobre o Bankia.

Para falar sobre as auditorias independentes ao setor bancário espanhol, a euronews entrevistou José Carlos Diez, analista da Intermoney.

No final de contas, os números divulgados situam-se entre as estimativas do Fundo Monetário Internacional e os 100 mil milhões de euros previstos por Bruxelas. Qual devia ser o montante pedido por Madrid?

José Carlos Diez: Antes de mais, a avaliação foi realizada por duas empresas independentes, o que confere credibilidade. Penso que está melhor estruturada do que aquela efetuada pela Autoridade Bancária Europeia, no ano passado. Vem mais na linha do que é feito pela Reserva Federal americana. São mais eficazes. Neste sentido, é melhor. Agora, o problema é que se trata de um exercício que não tem grande utilidade. Imagino que o governo tenha toda a informação necessária. Mas tem de ser elaborado um plano, como pediu Bruxelas, instituição a instituição. É preciso preparar um mapa e apresentá-lo com planos concretos, para que os investidores o possam compreender, analisar e avaliar.

euronews: Dir-se-ia que o governo espanhol não avança se não for pressionado pelos parceiros europeus. Supostamente, o pedido formal será feito esta segunda-feira. Quais são as etapas que se seguem?

JCD: Uma vez que o país solicite formalmente a ajuda, o eurogrupo e os outros países deverão pedir um memorando à Comissão Europeia. Esse memorando tem de incluir todos os detalhes: as condições da ajuda, a quantidade, a taxa de juro, os prazos, se será através do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira ou do Mecanismo de Estabilidade. Como se costuma dizer: “o demónio está nos pormenores.” É preciso ver o memorando para saber se o plano pode ser bem sucedido.

euronews: Precisamente, uma das perguntas consiste em saber se os bancos podem ser assistidos, sem que isso seja considerado uma ajuda do Estado. A pressão sobre o governo de Angela Merkel é suficientemente forte?

JCD: É o que vamos ver. Dizem que a política é a arte do possível, mas as regras são bastante claras. É o país que tem de pedir ajuda, através dos mecanismos respetivos, que são 100 por cento públicos. Por outro lado, fala-se em mudar as regras, em ter, no futuro, uma união bancária que possa ajudar diretamente uma instituição financeira. Mas, neste momento, as regras dos fundos europeus de estabilidade não o permitem.

euronews: Finalmente, é desta forma que se vai conseguir baixar o prémio de risco e os juros da dívida espanhola?

JCD: Depende. A verdade é que esta auditoria não é suficiente e o prémio de risco espanhol acarreta mais problemas. Quiseram, a nível europeu e internacional, convencer os outros de que todos os problemas da crise do euro vinham do sistema bancário espanhol. Era fantástico se toda a crise do euro tivesse uma resposta tão simples! Como se diz na obra de Umberto Eco, “O Nome da Rosa”, o mal tem de ser cortado pela raíz. A crise do euro é uma crise muito grave, no meio de uma recessão europeia muito grave. Os indicadores conjunturais mostram que a Alemanha já entrou em recessão. A política económica conduzida na Europa atira-nos diretamente para a depressão, como aconteceu no tempo de Hoover, nos anos 30. Vamos ver se Angela Merkel e o seu governo se dão conta e reagem, mudando de política económica. Caso contrário, as perspetivas são muito negativas.