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Alta tensão entre a Síria e a Turquia

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Alta tensão entre a Síria e a Turquia

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A tensão é extrema na fronteira entre a Turquia e a Síria desde que, na sexta-feira, a defesa antiaérea síria derrubou um avião militar turco.

A resposta turca não se fez esperar: Ancara anunciou que toda aproximação militar à fronteira pela Síria “será considerado uma ameaça militar e tratada como um objectivo militar”.

Mais do que suficiente para deteriorar as já tão más relações entre os dois vizinhos, desde que começou o levantamento contra o regime de Bachar al Assad, há ano e meio.

Ancara, que é membro da NATO, reconheceu que o avião sírio fez uma curta violação do espaço aéreo sírio por erro, mas denuncia que o ataque se produziu já em espaço internacional.

A Síria, em troca, fala de violação flagrante e deliberada. A televisão estatal chegou a mostrar o plano de voo do Phantom F-4 turco para justificar a resposta.

A NATO apoia a Turquia e qualificou o ataque de “exemplo flagrante do desprezo das autoridades sírias pelas normas internacionais”.

Anders Fogh Rasmussen, secretário geral da NATO espera que a situação não leve a uma escalada. E afirma: “O que vimos é completamente inaceitável e espero que a Síria faça o necessário para evitar estas ações no futuro”.

Ancara invoca a aplicação do artigo 4° da Carta da NATO, que sugere consultas entre os aliados quando um deles vê ameaçada a segurança.

Por agora não solicitou o recurso ao artigo 5°, que dá a possibilidade de uma resposta coletiva que pode ser armada.

O facto de Ancara não ter solicitado outro suporte mais expressivo dos aliados não elimina, segundo os analistas, o risco dos dois vizinhos entrarem em conflito aberto.

Outro risco para os milhares de sírios que atravessam diariamente a fronteira para fugir da violência.

Vamos falar com o nosso convidado que se encontra em Istambul, para abordarmos a crise suscitada pelo abate de um avião turco pelas forças sírias.

Osman Cicekli é um piloto na reforma que sobreviveu, em 1996, ao ataque da Grécia sobre o seu F-16.

Euronews:
O primeiro-ministro turco disse que os seus compromissos militares mudaram, o que quer isto dizer em termos de estratégia? Pensa que a Turquia está à beira da guerra?

Osman Cicekli:
Desde que seja um anúncio vindo de uma autoridade política, penso que estamos mais perto da guerra, é evidente que eu desejo que isso não aconteça. Os compromissos em periodo de paz e em periodo de guerra são diferentes, especialmente depois desta declaração da Turquia. Em circunstâncias normais, quero dizer, em tempo de paz, adverte-se o aparelho que se aproxima do teu espaço aérero. É evidente que depende se o aparelho está armado ou não. Se estiver armado então a reação será diferente. Neste caso deve-se pedir autorização às autoridades para executar o ataque. Abate-se um avião como derradeiro recurso. Tendo em conta a relação atual entre a Síria e a Turquia não havia necessidade de abater o aparelho. Se olharmos o que passa, o primeiro-ministro declarou sem equívoco que qualquer ameça que se aproxime das suas fronteiras será considerado como alvo inimigo e tratado como tal. Depois dessas declarações, se não for feito o necessário, a Turquia vai mostrar fraqueza e perder credibilidade, e isso não é desejável.

Depois do pedido da Turquia, os membros da NATO reuniram para discutir o artigo 4, sobre a ameaça territorial. Porque não foi discutido o direito de riposta do artigo 5?

Osman Cicekli:

Sinceramente, devo dizer-lhe que os membros europeus da NATO não veem a situação na Síria como a Turquia. Tanto quanto posso constatar o assunto não faz parte das prioridades das suas agendas. Neste sentido, um incidente deste tipo pode gerar um conflito. Isto significa que Alemanha, França, Inglaterra e Bélgica deviam implicar-se mais neste caso. Neste momento com os problemas económicos que a Europa enfrenta, uma guerra é o que menos se precisa, por isso evitam falar do artigo cinco.
Certamente os 27 membros da Aliança devem chegar a um acordo para fazerem uso do artigo cinco, o direito de riposta. Nesta fase, penso que os membros não estão a levar o caso a sério.

Euronews:
O que se sabe sobre o poderío militar da Síria? Esta é uma questão que desperta muita curiosidade?

Penso que o poderío da força aérea turca é mais importante que o da Síria em vários aspetos. Eles terão apenas um problema, o seu sistema de defesa aérea, em caso de violação do seu espaço, o sistema de defesa, especialmente os radares que devem ser reactivos. Assumo que no terreno os mísseis terra-ar sírios são potentes. Isto quer dizer que os turcos devem ser capazes de reagir prontamente na eventualidade de um ataque.