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União Europeia: pense positivo

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União Europeia: pense positivo

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Nesta edição de Utalk, Jacqueline dos Países Baixos lançou a seguinte pergunta: “Por causa de questões como o euro e a imigração, parece que toda a culpa e todas as críticas negativas vão para a Europa e para o processo europeu. Acho que é uma verdadeira vergonha e gostaria de saber por que é que ninguém parece capaz de fazer uma melhor campanha de marketing sobre o que a Europa alcançou?”

A resposta é de Grégory Vanel, professor do Instituto Superior Europeu de Gestão, em Lyon: “É verdade que as instituições da União Europeia têm muitas dificuldades para mediatizar os êxitos da União, para além da clássica pacificação das relações franco-alemãs. Penso no caso da Airbus, na auto-suficiência alimentar, no programa Erasmus para a cooperação universitária. Este problema não é novo e, na verdade, está ligado, do meu ponto de vista, a um certo número de disfunções que são muito difíceis de resolver. Em particular, temos uma enorme complexidade institucional: é muito difícil para quem não conhece encontrar-se entre o Parlamento, a Comissão, o Conselho da União e o Conselho Europeu. Depois, temos um défice democrático que se acentua depois do fracasso do projeto de Tratado Constitucional Europeu e que coloca um certo número de problemas, nomeadamente em países como a França ou a Hungria, onde há movimentos soberanos extremamente fortes. Por outro lado, a União Europeia é vítima, por vezes, das dificuldades dos Estados-membros para transferir a sua soberania, em particular em matéria financeira. O orçamento da União Europeia é muito baixo: um pouco mais de 1% do PIB da União, o que é muito pouco, comparativamente a um país como os Estados Unidos. Frequentemente, os Estados-membros instrumentalizam as dificuldades que encontram nas políticas internas e atribuem-nas às dificuldades da União Europeia. Além disso, penso que a União Europeia hesita sistematicamente há quarenta anos entre o modelo intergovernamental de um lado e o modelo federalista do outro. Isto coloca problemas nomeadamente sobre a natureza das decisões que são tomadas e sobre a maneira como devem ser tomadas. Contudo, não nos podemos esquecer que os projetistas da União Europeia agiram muito bem, pois fizeram tudo para que as dificuldades da União sejam sistematicamente ultrapassadas, substituídas por mais União Europeia. E como tal, não tenho a certeza que a mediatização dos sucessos da União seja mais eficaz do que a sua não mediatização, pois podemos vê-lo, por exemplo, com a crise atual da dívida: a solução é precisamente o reforço da União Europeia.”

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