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Hollande e Cameron: a desmesurada distância entre dois parceiros da UE

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Hollande e Cameron: a desmesurada distância entre dois parceiros da UE

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François Hollande aterrou num país onde o euroceticismo aumenta e todas as propostas podem atiçar ou acalmar as reivindicações dos partidários da saída da UE. O encontro entre os chefes de Estado de França e do Reino Unido serve para tentar minimizar os problemas.

Encontraram-se uma vez, durante o G8 de Camp David e tiveram a oportunidade de expor as próprias ideias, totalmente opostas, sobre a Europa e a economia. Para Londres, Hollande tem dois inconvenientes: é francês e socialista. Mas o velho antagonismo franco-britânico já vem de longe.

Depois de décadas, os dois países são especialistas em amabilidades recíprocas.
Entre Sarkozy e Cameron as relações não foram, sempre as melhores, mas os dois líderes conseguiram criar uma relação de confiança, pelo menos. Mas a incompreensão era grande e cameron decidiu romper o protocolo e apoiar o presidente cessante durante a campanha eleitoral para as presidenciais.

Quando o candidato Hollande visitou Londres, em Março, encontrou-se com o líder trabalhista, Ed Milliband, pois Cameron não o recebeu.

A seguir, nova desfeita em junho, durante a cimeira do G20: o primeiro ministro britânico não disse diretamente, mas considerou ridículas as propostas fiscais do novo presidente.

Cameron:

“- Se os franceses mantiverem uma taxa de 75% para o escalão superior do IRS, tiraremos o tapete vermelho e receberemos mais empresas francesas que passam a pagar os impostos no Reino Unido e pagarão pelo nosso serviço de saúde, as nossas escolas e o resto.”

Este é um dos principais motivos de conflito entre ambos. Têm posições muito diferentes quanto a impostos sobre os rendimentos mais elevados. Cameron baixou o limite para 45% . Também há um importante diferendo sobre a taxa europeia de transações financeiras, que Hollande defende e Cameron rejeita com o argumento de que seria desastrosa para a City.

Outro tema de desacordo é a questão da defesa europeia e a participação militar no Afeganistão. Hollande anunciou a retiradado contingente francês até ao fim de 2013. Cameron quer cingir-se ao calendário fixado pela NATO.

A Europa estará sempre como pano de fundo das discussões. O primeiro ministro britânico deseja mais esforço dos países da zona euro para sairem da crise e ameaça sair da União Europeia. O novo presidente francês quer assentar a política no crescimento…. mas os dois líderes sabem que ficam a perder se as relações bilaterais se degradarem mais.