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Tragédia bósnia faz sofrer mas não serve de lição

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Tragédia bósnia faz sofrer mas não serve de lição

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O massacre de Srebrenica foi ordenado há 17 anos, mas a cada aniversário que se celebra, há novos funerais para fazer.
Os camiões que atravessam Sarajevo levam os restos mortais da Medicina Legal para
Potočari, onde fica o cemitério e memorial das vítimas de Srebrenica.

Este ano foram identificados mais 520 corpos. Entre eles, estão os restos mortais de seis crianças e quatro mulheres, uma das quais com 96 anos de idade no momento da execuçâo.
O total de enterros eleva-se assim a 5.657.
As famílias precisam dos funerais para iniciar o luto depois de quase duas décadas de desespero.

Mujo Music, sobrevivente do amssacre:

“- Vou enterrar o meu filho. Tinha 26 anos. Fugimos para a floresta quando Srebrenica caiu ans mãos dos sérvios. Quando chegámos a Snagovo, começaram a balear-nos de Kula. Oito pessoas morreram, entre as quais o meu filho.
O cadáver ficou lá. Encontramos apenas dois ossos. já enterrei muitos familiares. A minha mulher morreu de desgosto e eu não sei o que fazer.”

O drama de Srebrenica não tem fim. A terra bósnia continua a esconder valas comuns, descobertas ano após ano.
Os sobreviventes que não estão a conseguir fazer o luto, assistem à prisão dos culpados e ao julgamento de Mladic com muito sofrimento. Como esta mãe:
“- A dor da Bósnia, a dor da região de Drina, no est à vista. Deviam trazê-lo para cá e julgá-lo aqui.”

E uma outra sobrevivente:
“- Espero que ele não reveja os filhos. O meu filho nunca mais viu o pai. Encontrámos apenas quatro ossos dele e vamos enterrá-los agora, mais nada”.

No Tribunal de Haia, começou o processo do criminoso de guerra mais procurado de sempre até à detenção, no ano passado, depois de 16 anos de fuga. As testemunahs estão a ser ouvidas.

Os relatos são chocantes, mas Mladic, de 70 anos, ouve-os sem pestanejar.

Os seguidores do comandante tchenik continuam a negar os factos. No antigo bastião sérvio de Pale, a 14 km de Sarajevo, ninguém reteve qualquer lição.

“- Não tem qualquer importância que o retenhma em Haia. Aqui vai ser sempre um herói”.

“- Para os sérvios, Mladic é sinónimo de justiça e sobrevivência do povo sérvio. E acho que os sérvios precisam de um novo Mladic”.

Entre os presentes na cerimónia, está o rabino Arthur Scheneir, sobrevivente do Holocausto. Para ele, o dever de memória é essencial.

“No fim de contas, o preço do silêncio é muito alto. O silêncio não é resposta, é preciso rebelar-se contra a injustiça. Quando nos encontramos face à desumanidade de alguns, não se pode fechar os olhos, é preciso ouvir os gritos dos oprimidos.”