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De Eichmann a Csatáry, os nazis mais procurados

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De Eichmann a Csatáry, os nazis mais procurados

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Budapeste, maio de 2011. Os manifestantes esperam o veredicto contra Sándor Képíró, um dos criminosos nazis mais procurados, acusado de ter morto mais de 1200 judeus em Novi Sad, na Jugoslávia, em 1942.

O julgamento acabou com a absolvição, em julho do ano passado. Acabaria por morrer poucas semanas depois.

A história de Képiró assemelha-se à de muitos outros criminosos nazis. Sempre se disse inocente e chegou a estar fugido na Argentina até ao regresso à Hungria em 1996.

Apesar de estar na lista de criminosos nazis do Centro Simon Wiesenthal, nos últimos anos andou à vista de todos e chegou até a ser entrevistado para a televisão.

Foi também em Budapeste que os jornalistas do diário britânico The Sun encontraram László Csatáry, considerado o fugitivo nazi mais procurado do mundo. Acusado de cumplicidade na morte de 15700 pessoas, tem agora 97 anos.

É um de vários a fazer parte da lista do centro Wiesenthal. Alois Brunner foi visto pela última vez na Síria, em 2001. Pensa-se que agora esteja morto. Agimantas Dalide foi condenado na Lituânia em 2004, mas não chegou a ir para a prisão e estará agora na Alemanha. Aribert Heim, o “doutor morte” do campo de Mauthausen, viveu no Egito e terá provavelmente morrido neste país. O húngaro Karoly Zentai vive na Austrália, enquanto espera o resultado da ordem de extradição emitida por Budapeste. Dois alegados ex-nazis a viver no Canadá, Helmut Oberlander e Vladimir Katriuk, são acusados pelo Centro Wiesenthal de crimes cometidos na Bielorrússia e na Ucrânia.

Os poucos criminosos nazis vivos têm hoje mais de 90 anos. Para Efraim Zuroff, diretor do Centro Simon Wiesenthal, está é a última oportunidade para lhes deitar a mão e fazer justiça: “Temos uma lista dos mais procurados. São as 10 pessoas que nos parecem ter mais possibilidades de serem entregues à justiça. Mas é apenas a ponta do iceberg. Ninguém sabe quantos criminosos nazis ainda estão vivos”.

O Centro Wiesenthal ajudou a desmascarar e entregar à justiça dezenas de antigos nazis, incluindo nomes como Adolf Eichmann.

É um dever para com as vítimas, segundo o fundador do centro, Simon Wiesenthal, sobrevivente do Holocausto, morto em 2005, que perdeu 89 familiares durante a perseguição pelos nazis.