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Jovens investigadores convivem com prémios Nobel

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Jovens investigadores convivem com prémios Nobel

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“Conhecer um prémio Nobel já é por si extraordinário mas conhecer 27 prémios Nobel é algo que eu nunca poderia ter imaginado!”, exclama a investigadora espanhola Emma Martins Rodriguez.

Durante uma semana, centenas de jovens cientistas de setenta países estiveram reunidos em Lindau, na Alemanha e viveram uma experiência inesquecível.

Os participantes conviveram com 27 vencedores do prémio Nobel em conferências, debates, reuniões à porta fechada e conversas informais.

O objetivo do encontro é estimular o diálogo inter-geracional, na esperança de que entre os participantes se encontre quem sabe um futuro prémio Nobel.

A edição deste ano foi dedicada à física.

O biofísico Erwin Neher vencedor de um prémio Nobel em 1991 foi um dos investigadores que passou a semana com a nova geração de cientistas.

“O professor Neher foi simpático e acessível.
Respondeu às nossas perguntas, as científicas e as e as mais normais sobre a vida dele enquanto prémio Nobel. É estimulante saber que uma pessoa tão brilhante não deixa de ser… humana. Eles são acessíveis e simpáticos e é completamento normal conversar com eles”, confessa a doutoranda alemã Andrea Thamm.

Cada jovem cientista presente no evento foi selecionado por uma universidade ou centro de investigação.

A Comissão Europeia fez-se representar por vários bolseiros das ações Skłodowska-Curie, um programa que visa promover o desenvolvimento da carreira dos investigadores na Europa.

As bolsas Skłodowska-Curie permitem aos cientistas trabalharem, por exemplo, num centro de investigação noutro país da União Europeia ou em países terceiros.

Daniel Ramos optou por passar dois anos na Universidade de Harvard.

Para o físico espanhol, os Estados Unidos oferecem algumas vantagens aos investigadores.

“Na Europa, os projetos são financiados em função dos resultados. E por causa disso os investigadores não arriscam, ou arriscam menos. O meu trabalho baseia-se na chamada ciência de alto risco. Talvez não chegue ao resultado esperado mas posso ter um resultado intermédio. Na Europa, é difícil vender esta ideia e receber dinheiro público para realizar este tipo de projeto”, explica Daniel Ramos.

O encontro de Lindau terminou com uma viagem à ilha de Mainau, no lago de Constança. No interior do barco, os estudantes visitaram as exposições de pequenas e médias empresas do sul da Alemanha que criam protótipos inovadores para vender à indústria.

Andrea Thamm tem apenas 24 anos. É uma das participantes mais jovens. Está a fazer o doutoramento no CERN e espera poder trabalhar no campo da física pura:

“Daqui a cinco anos, devo acabar o doutoramento e espero fazer um pós-doutoramento algures mas gostaria de regressar ao CERN porque é o centro do mundo da fisíca de partículas”.

O CERN é o maior laboratório de física de partículas do mundo. Localizado na fronteira entre a França e a Suíça, emprega cerca de 2500 investigadores a tempo inteiro.

Mas, no universo da ciência, muitos jovens vivem de bolsas e projetos temporários.

“Os primeiros anos de um investigador são difíceis, temos de lutar e não perder a esperança porque quando um contrato de dois anos chega ao fim não sabemos se vai haver outro”, diz Emma Martins Rodriguez.

O encontro de Lindau é hoje um importante fórum de debate internacional onde os cientistas trocam conhecimentos sobre os grandes temas da atualidade. Este ano, o debate final girou em torno da produção de energias renováveis, tendo como ponto de partida o projeto da Alemanha de abandonar o nuclear.

Durante, o debate, os jovens investigadores puderam fazer perguntas aos especialistas.

“Creio que vamos resolver o problema da produção e distribuição de energias renováveis porque houve uma mudança ideológica. As pessoas estão mais conscientes da importância do tema, os cientistas sao encorajados a trabalhar sobre estas questões que a meu ver, podem ser resolvidas”, diz o investigador alemão Daniel Brunner.

Extremamente dependente da importação de energia, a Europa precisa, sem dúvida, de investigadores otimistas e motivados.

E é esse o objetivo dos encontros com os vencedores dos prémios Nobel em Lindau: inspirar as novas gerações para que possam resolver os grandes desafios científicos do século XXI.