Última hora

Em leitura:

Trabalhadores "declaram guerra" à Peugeot Citroën


França

Trabalhadores "declaram guerra" à Peugeot Citroën

A semana é crucial para o futuro de milhares de trabalhadores da PSA Peugeot Citroën. O Governo francês reúne-se, esta terça-feira, com os sindicatos. Amanhã, o presidente executivo da empresa, Philippe Varin, será ouvido pelo ministro da Indústria, Arnaud Montebourg. A supressão de oito mil postos de trabalho, anunciada pelo grupo a 12 de julho, foi considerada “inaceitável” pelo presidente francês.

Os trabalhadores não parecem acreditar em milagres nem na palavra “renegociação”: “Vamos ser todos despedidos. Varin é um mentiroso, os patrões são mentirosos, criminosos. Agora querem despedir os trabalhadores mas vamos entrar em guerra com eles”, lança um funcionário.

O plano da PSA Peugeot Citroën prevê a supressão de oito mil postos de trabalho em França e o encerramento da histórica fábrica de Aulnay-sous-Bois, perto de Paris, que emprega três mil pessoas. Vai, ainda, dispensar 1400 dos 5600 trabalhadores na fábrica de Rennes, no norte do país.

É a primeira vez em 20 anos que a França assiste ao encerramento de uma fábrica automóvel. “Sem razão”, considera o líder sindical Philippe Julien. “Ainda não nos apresentaram nenhuma razão para o encerramento da fábrica, que é moderna, extremamente bem situada, com acesso ao aeroporto, caminhos-de-ferro, autoestrada, situada perto de Paris, no eixo norte-sul. Não há nenhuma razão para fechar esta fábrica, onde produzimos o C3 que é o carro mais vendido do grupo e que estimula as vendas neste momento. Falta produzir 450 mil automóveis previstos pela direção e isso deveria prolongar a produção pelo menos até 2016.”

O sindicalista relembra, ainda, que a indústria automóvel francesa recebeu quatro mil milhões de euros de ajudas estatais nos últimos anos. “O que pedimos ao governo é que faça respeitar os acordos assinados com a PSA. Houve convenções através das quais a empresa recebeu subsídios enormes, centenas de milhões. Em contrapartida, a PSA comprometia-se em manter os empregos.”

O correspondente da euronews em Paris, Giovanni Magi, descreve que “o trabalho foi retomado depois da suspensão na quinta-feira”. Ainda que “o sindicato considere o plano de reestruturação da Peugeot Citroën como uma declaração de guerra, o ambiente parece marcado pela responsabilidade e calma”.

Há pontos de vista diferentes para cada história: a Euronews conta com jornalistas do mundo inteiro para oferecer uma perspetiva local num contexto global. Conheça a atualidade tal como as outras línguas do nosso canal a apresentam.

Artigo seguinte

mundo

Fogo atinge floresta património da humanidade