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Ameaças pesam sobre desempenho português

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Ameaças pesam sobre desempenho português

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Portugal tem nota positiva mas a crise na zona euro paira sobre as metas acordadas com a troika. O FMI elogiou a implementação do programa de ajustamento e desbloqueou uma nova tranche de ajuda de 1,48 mil milhões de euros. No entanto, a instituição admite flexibilizar a meta do défice para este ano caso haja derrapagem nas receitas fiscais.

As conclusões surgem da quarta avaliação da troika a Portugal, que decorreu entre 22 de maio e 4 de junho. O governo está empenhado em cumprir o programa de austeridade em troca do empréstimo de 78 mil milhões de euros.

O FMI acredita que o Estado português pode regressar aos mercados, com emissões de dívida a médio e longo prazo, em finais de 2013. Por enquanto, os juros da dívida soberana a 10 anos continuam elevados, apesar da descida de 17,4 por cento, em janeiro, para os atuais 10,6 por cento.

Quanto às emissões de dívida de curto prazo, esta quarta-feira, Portugal colocou o montante máximo previsto, dois mil milhões de euros, com juros muito abaixo dos pagos por Espanha.

Em relação ao peso da dívida pública, as previsões apontam para os 114,4% do PIB em 2012. Para o próximo ano, o agravamento ainda é maior, devendo situar-se nos 118,6% do PIB. O valor só deverá baixar em 2014.

Em causa, a crise na zona euro e o contágio à Espanha, o principal parceiro comercial de Portugal. Além disso, as receitas fiscais baixaram e a recessão poderá atingir 3 por cento este ano. A taxa de desemprego deverá situar-se nos 15,4 por cento, também este ano, e atingir os 15,8 por cento em 2013.

O FMI teme o impacto do desemprego no saldo da Segurança Social, colocando em risco as metas de redução do défice. No ano passado, Portugal cumpriu os requisitos de 5,9 por cento do PIB. Para este ano, a meta de 4,5 por cento é ensombrada pelos resultados do primeiro trimestre. Em 2013, o objetivo é um défice de 3 por cento do PIB.

O FMI acredita que a meta para este ano permanece “realizável”, mas reconhece que possa haver uma derrapagem. A partir de 2013, o executivo terá de encontrar alternativas aos cortes dos subsídios de férias e de natal, depois do revés imposto pelo Tribunal Constitucional.