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Morreu o "homem sombra" de Mubarak

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Morreu o "homem sombra" de Mubarak

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“O Presidente Hosni Mubarak decidiu abandonar o lugar de presidente da república e pedir ao Conselho Supremo das Forças Armadas que governe o país. Deus vai ajudar-nos.” Estas palavras de Omar Suleiman foram ditas a 11 de fevereiro de 2011 e puseram fim ao regime que seguiu durante 30 anos.
O anúncio tão aguardado pelos manifestantes da revolução egípcia, que durou 17 dias até à demissão do velho faraó e que provocou centenas de mortes.

A fidelidade e devoção valeram-lhe, no fim de janeiro de 2011, em plena revolução, a nomeação para vice-presidente por Mubarak.
Por isso era cada vez mais apontado como o sucessor, em detrimento de Gamal, o filho do ditador. E tinha como missão restabelecer a calma e iniciar as reformas exigidas pela multidão. Mas era demasiado próximo do presidente e a nomeação não trouxe a calma.

Suleiman foi durante muitos anos o homem sombra do regime. Nascido em 1936, fez toda a carreira no exército antes de se tornar chefe dos serviços secretos em 1993.

Em 1995, “salvou” a vida de Mubarak. Aconselhou-o a circular num carro blindado durante uma deslocação à Etiópia para uma cimeira Panafricana. A viatura foi atacada por um grupo islâmico.
Vários agentes foram mortos, o presidente saiu incólume. A partir dessa altura, Suleiman tornou-se homem de confiança, intocável.

No verão de 97, reclamou um vigilância reforçada dos pontos mais turísticos do país. O ministro do Interior não o fez de imediato e em outubro ocorreu o atentado em Louxor, que fez 62 vítimas. Suleiman voltava a ter razão.

Tornado conselheiro político de Mubarak, era o único que podia dizer ao ditador o que realmente pensava. Após a segunda Intifada tomou as rédeas da questão israelo-palestiniana. Um papel de mediador e negociador que lhe rendeu elogios. Durante anos negociou tréguas entre ambas as partes, tentou aproximar os opostos, além de tentar reconciliar os palestinianos do Hamas e da Fatah.

Mas homem sombra tinha a própria sombra. Teve, por exemplo, um papel importante na questão da tortuta. Era suspeito de ser o representante da CIA no Egito e de ter mandado torturar muitos presumíveis terroristas islâmicos.

Os islâmicos, a maldição de Suleiman.
Na década de 90, liderou uma guerra implacável contra a Irmandade Muçulmana e a jihad.

Talvez tenha sido o ódio antigo o levou a candidatar-se em abril. Mas não conseguiu recolher as 30.000 assinaturas necessárias.