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Segurança nuclear no Japão: relatório dos erros

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Segurança nuclear no Japão: relatório dos erros

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O Governo japonês e a TEPCO, a operadora da central nuclear de Fukushima, avaliaram mal a segurança. Como consequência, a resposta à crise nuclear, inciada em março de 2011, foi inadequada.

Esta é a conclusão de um relatório publicado esta segunda-feira pelos membros de uma comissão de investigação criada pelo atual governo nipónico.

Toshio Tanako, da Comissão de Investigação:

“- Quando se produz um desastre é necessário tomar decisões em condições muito duras e extremas. Se alguém não está preparado para tomar essas decisões então também não está preparado para dirigir o funcionamento de uma central nuclear. Por isso me vejo obrigado a perguntar se os responsáveis da altura estavam realmente habilitados”.

O relatório baseia-se em entrevistas realizadas a mais de 700 pessoas envolvidas, antes ou durante o incidente, na gestão da central de Fukushima. O grupo de investigadores, formado por engenheiros,cientistas e juristas, também põe em causa a gestão depois da tragédia, além da formação insuficiente do pessoal e uma estrutura de gestão pouco adaptada.

O relatório sanciona agora a actuação do governo durante a crise. Mas toda a situação parece reproduzir Chernobyl, em 86: falta de preparação, pressão dos responsáveis e silêncio para esconder as falhas técnicas.

Mas não são as únicas críticas.
O atual governo ivestiga a informação divulgada nos Media, sobre um empreiteiro que teria obrigado os operários a colocar chumbo nos instrumentos para medir a radioatividade para continuarem a trabalhar no local.

Mas o Japão, pode, realmente, privar-se da energia nuclear?

Em 2010, 27% da energia consumida procedia de centrais como a de Fuskushima, em 2017, segundo um estudo realizado antes do incidente, 40% da energia devia ser de origem nuclear.

Depois do desastre de Fukushima todas as centrais foram paralisadas mas a continuidade na produção de energia nuclear em Japão parece garantida depois de ligados os primeiros dois reactores.

A política nuclear japonesa foi concebida depois da crise do petróleo de 1973. Mas hoje, 80% dos japoneses estão contra. Quantas tragédias como Chernobyl e Fukushima se terão de repetir?