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Pussy Riot clamam inocência num julgamento que mistura música punk, religião e Putin

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Pussy Riot clamam inocência num julgamento que mistura música punk, religião e Putin

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As três jovens mulheres que compõem o polémico grupo musical russo Pussy Riot declararam-se inocentes, no primeiro dia do julgamento que enfrentam em Moscovo.

Em fevereiro passado, foram detidas, depois de irromperem numa catedral, dirigirem-se ao altar, e entoarem um cântico punk para pedir à Virgem Maria que afastasse Putin do poder. Acabaram por ser acusadas de hooliganismo motivado por ódio religioso, incorrendo numa pena de sete anos de prisão.

Numa entrevista ao The Times, o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, declarou que “em certos países, este tipo de ações seria tratado com muito mais severidade e mesmo, em determinados contextos políticos, podia terminar de uma forma muito triste para os responsáveis.”

Palavras que geraram incredulidade juntos dos apoiantes das jovens e, sobretudo, da advogada de defesa. Violetta Volkova pergunta se a comparação de Medvedev se refere “a países onde apedrejam as pessoas até à morte? Se sim, então é estranho equiparar a Rússia. Se Medvedev defende um regresso ao clericalismo, e não o caminho de um Estado secular, então este género de declarações deve ser ouvido com muita atenção.”

As Pussy Riot assumem uma responsabilidade política, não criminal, no ato de denúncia dos laços cada vez mais estreitos entre Putin e a Igreja Ortodoxa russa.