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Agosto pode ser "escaldante" para o futuro da zona euro

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Agosto pode ser "escaldante" para o futuro da zona euro

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Depois de meses de intensa atividade para gerir a crise da zona euro, a Comissão Europeia reuniu o colégio pela última vez, esta quarta-feira, antes do período de férias. E o Conselho Europeu, palco das cimeiras dos líderes da União, está adormecido.

Mas o Verão pode ser escaldante para o destino dos 17 países do euro, nomeadamente para Espanha, que paga taxas de juro insustentáveis para obter empréstimos e é considerado o mais recente alvo para um resgate.

Já há rumores de uma possível cimeira de emergência em Agosto, caso nos próximos dias não se verifique uma ação corajosa para acalmar a pressão dos mercados financeiros. Muito depende das decisões do conselho do Banco Central Europeu, esta quinta-feira, sobre a compra de dívida nos mercados.

Além de Espanha, Itália é o outro país muito pressionado pela desconfiança na zona euro e o primeiro-ministro Mario Monti tem sido um dos protagonistas que tenta convencer a Alemanha a revelar maior solidariedade.

Monti tem, contudo, perdido apoio do seu próprio parlamento e especula-se que possa enfrentar eleições antecipadas antes do final do ano.

A Grécia tem sido apontado como o caso mais grave e o barómetro da resistência da União Europeia a esta crise financeira e política. Mais uma vez em risco de falência, devido a pagamentos de dívida em meados de Agosto, Atenas ainda não sabe como e quando chegará a próxima tranche de ajuda da troika.

Temas abordados pelo correspondente da euronews em Bruxelas, Enrico Bona, em entrevista a Stefano Micossi, economista e diretor do centro de reflexão Assonime.

Sobre o papel do BCE e das decisões esperadas na quinta-feira, o analista disse que “o conselho do BCE tem de decidir se é um banco central a sério ou se é um banco central de faz-de-conta. Sem um banco central, o sistema fica inoperante. Os países credores e parte da opinião pública e da classe política alemã está convencida de que uma operação de aumento de liquidez é o mesmo que uma operação de resgate. É um absurdo, mas é uma opinião bastante difundida”.