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Modernidade tenta manter vantagem contra o conservadorismo na Tunísia

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Modernidade tenta manter vantagem contra o conservadorismo na Tunísia

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O Dia Nacional da Mulher na Tunísia foi celebrado com veemência e quase desespero por causa da possibilidade de perda de direitos a nível constitucional: o projeto visa a complementaridade dos sexos e não a igualdade entre homem e mulher.

Milhares de tunisinos manifestaram-se em frente do parlamento pela retirada de um projeto. Uma jovem engenheira explicou:

“A mulher tunisina é uma parte inteira , igual ao homem, e estamos aqui para mostrar que as mulheres tunisinas não são complementares dos homens, porque são independentes e cidadãs trabalhadoras. Nunca aceitaremos ser consideradas complementares dos homens”.

Um dos milhares de homens presentas acrescenta:
“- Está aqui uma multidão, homens e mulheres, para defenderem o que nos últimos 50 anos foi conseguido em termos de igualdade entre homem e mulher. Não vamos recuar nos objetivos”

Depois de 1956 e do famoso código de estatuto pessoal, um arsenal jurídico decretado pelo antigo presidente Bourguiba, instaurando a igualdade entre homem e mulher em vários domínios, o estatuto da mulher tunisina é um modelo no mundo árabe, segundo os critérios ocidentais.

A poligamia é banida legalmente, o divórcio e o casamento também estão enquadrados e dependem do consentimento mútuo. As mulheres gozam de igualdade de direitos sociais e de direitos no trabalho e na educação.

A sociedade é mais igualitária e as mulheres estão representadas em todos os setores e profissões, exército e política. As raparigas representam 59% dos estudantes universitários. Mesmo se são mais atingidas pelo desemprego, têm um lugar próprio na sociedade tunisina.

É, no entanto, uma socieddae dividida pelo conservadorismo e a modernidade.
Bourguiba talvez tenha colocado a carroça à frente dos bois, obrigando a mutações profundas antes da mudança de mentalidades. Atualmente, até as mulheres estão dividias entre as que nascem no seio de famílias antecipadas e aqulas que são educadas em meios conservadores islâmicos.

O risco daquelas que se bateram pelos direitos da Mulher e se vêem postas em causa por um movimento muito menos clemente, agita diferentes gerações.

Maya Jeribi, líder do Partido Republicano, membro da Assembleia Nacional Constituinte:

“- As pessoas defendem o Código do Estatuto Pessoal de agosto de 1956. A nossa mensagem é que celebramos os nossos direitos neste aniversário para os preservar perante aqueles que os querem retirar.”

Esse conjunto de leis, ainda sem equivalente no mundo árabe, é um dos maiores tesouros da sociedade tunisina.