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França prepara-se para os desafios

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França prepara-se para os desafios

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Cumprem-se hoje 100 dias que François Hollande foi eleito presidente de França. E a popularidade do socialista está em queda, principalmente por causa das dúvidas sobre a sua capacidade para lidar com a crise financeira.

Mo dia 15 de maio a cerimónia que se queria discreta foi tudo menos simples. Ter andado à chuva no dia de posse teve mesmo o efeito contrário: apresentou-se molhado, gelado, a tremer.

Mas algumas promessas foram cumpridas, apesar do preço a pagar por elas: o salário mínimo foi aumentado para 1118 euros, assim como a ajuda financeira às famílias necessitadas para compra de material escolar.

Supressão do IVA nos organismos de ajuda social e regresso da reforma aos 60 anos para alguns. A situação económica, os ataques da oposição e as datas de amortização dos créditos a aproximarem-se la situation économique, não convencem os eleitores. 54% dos franceses estão descontentes, divulga a mais recente sondagem.

Entre eles estão muitos eleitores de esquerda.

A violência e a destruição que puseram Amiens a ferro e fogo (situa-se a norte de Paris) deram origem a mal entendidos, confrontos entre jovens e polícias – 16 agentes ficaram feridos, e à evacuação de um campo de ciganos rom. O braço de ferro do ministro do Interior com a comunidade em revolta causou uma vigilância especial da Comissão Europeia. A oposição esfregou as mãos e fustiga já a presidência com o dossiê sírio.

Roger Karouchi, ministro da UMP:

“- Ninguém diz que uma intervenção militar é fácil, ninguém considera uma intervenção internacional fácil, mas onde está a voz de França?”

No plano europeu e desde os primeiros dias do mandato, a voz de França e as novas orientações do presidente fizeram-se entender. Mas é a crise económica que vai determinar o futuro da presidência e a ratificação do orçamento europeu.

Também preciso fechar o orçamento de 2013 e fazer a reforma fiscal prometida.

Jérome Fourquet responsável por um departamento de opinião pública, IFOP:

“- Por enquanto ainda não se pode falar de desamor profundo entre François Hollande e os franceses. Estamos na expetativa. O que é uma relaidade é que os franceses estão preocupados com o desemprego e com o estado das Finanças Públicas e esperam pelo momento da verdade, que será no Outono.”

Quando agosto terminar e a França reabrir para o trabalho, as pessoas vão perceber que era uma ilusão pensar que se poderia voltar ao Estado do bem-estar social, ao triunfo do funcionalismo. Há já uma consciência um pouco difusa de que não se pode retornar 50 anos no tempo.

Hollande já está a preparar o Conselho de Ministros de 22 de agosto.