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Poluição industrial ameaça Taranto, operários estão contra o fecho

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Poluição industrial ameaça Taranto, operários estão contra o fecho

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A Ilva é a maior empresa siderúrgica da Europa. Está localizada em Taranto, no sul de Itália e é alvo de um braço de ferro entre as vítimas de poluição e os ecologistas, por um lado, e a direcção por outro.

Produz sozinha, 9 dos 28 milhões de toneladas de aço fabricado em Itália e emprega quase 12 mil pessoas. Mas a poluição industrial afeta todos os habitantes.
Os trabalhadores manifestaram revolta contra o encerramento da fábrica que, afirmam, pode ser catastrófico para a economia nacional.

Um dos operários traduz o sentimento geral: “Só queremos trabalhar, é a única coisa que nos interessa, queremos levar o salário para casa, temos dívidas para pagar e queremos pagá-las. Deixem-nos trabalhar; é só o que pedimos”.

Chantagem é o dilema do emprego na Ilva.

Morrer de cancro ou morrer de fome? Para o jornalista e ecologista Alessandro Marescotti, no entanto, colocar o problema nestes termos é um erro.

O líder associativo explica que ninguém em Taranto tem fome. “O slogan é exagerado. Muita gente morre de cancro e inquirimos especialistas ambientais. Eles explicaram-nos que se transformássemos a quantidade química de benzopireno em cigarros, era como se cada criança da cidade fumasse 1000 cigarros por ano”.

Num dos bairros mais próximos da fábrica, há uma sobremortalidade anormal por causa da exposição às emissões poluentes da Ilva.

“Limpei este móvel ontem. As nossas crianças respiram esta poeira. Quando lhes limpamos o nariz vemos que isto lhes vai para os pulmões”.

Taranto é uma das cidades mais poluídas da Europa. Em 2010, teve o registro de 92% das emissões de dioxinas no país. Um relatório de 800 páginas, ordenado pela Justiça, determinou, em março, que a exposição prolongada à poluição provoca doenças degenerativas e morte.

O epidemologista Francesco Forastiere afirma que “o resultado do estudo demonstra claramente que há um efeito da poluição industrial nos casos de doenças cardiovasculares, especialmente nos enfartes do miocárdio, problemas respiratóriios, cancro, nomeadamente cancro pediátrico”.

Mas o caso da Ilva está longe de ser resolvido. Há uma ligação complexa que liga a cidade à siderurgia: relação que a faz viver, mas também ameaça matá-la.