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Desemprego: A dor de cabeça de François Hollande na "rentrée" política

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Desemprego: A dor de cabeça de François Hollande na "rentrée" política

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Com a popularidade em queda a par de uma degradação do clima económico, a rentrée política do presidente francês faz antever tempos difíceis.

Foi diante de um grupo de professores que François Hollande quis deixar uma mensagem positiva e um sinal de esperança com a criação de mil postos de trabalho no setor.

“Considero que a refundação das escolas é uma das condições para a recuperação do nosso país, para a recuperação produtiva, para a recuperação moral. Além disso é um investimento para garantir a coesão social e a luta contra o desemprego que é urgente”, disse o presidente francês.

Precisamente o desemprego ultrapassou pela primeira vez em 13 anos a barreira simbólica de três milhões de pessoas à procura de trabalho.

Dados preocupantes, pelo menos no entender do primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault, que se manifestou este domingo numa emissão de rádio: “Se juntarmos os números da França Continental e dos territórios do Ultramar, obtemos três milhões. A situação é extremamente preocupante. Não quero ser o primeiro-ministro da austeridade, porque a política com que nos comprometemos no início do mandato teria fracassado. Não. A política é muito clara desde o princípio. É preciso encontrar margens de manobra.”

Mas as margens estão a diminuir. François Hollande comprometeu-se a reduzir o défice de 4,5% para os 3% em 2013.

Terá de economizar 30 mil milhões de euros no orçamento do ano que vem, mas a previsão de crescimento do Governo de 1,2% para 2013 é demasiado otimista, pelo menos de acordo com os economistas.

“A economia francesa está estagnada. Destrói empregos ao mesmo tempo que cem mil jovens chegam todos os anos ao mercado de trabalho. Menos emprego e mais pessoas à procura de trabalho significa mais desemprego”, vaticina François Lenglet, jornalista de Economia.

Para fazer frente ao problema, o Conselho de ministros acaba de aprovar os chamados “Empregos do Futuro”, que é como quem diz contratos subvencionados para jovens não qualificados.

O objetivo é criar cem mil em 2013 e 50 mil em 2014. O custo estimado da medida no primeiro ano será de 500 milhões de euros.

Mas à medida que os planos sociais se multiplicam, as organizações sindicais denunciam a inação do Estado, pouco mais de cem dias depois da chegada ao poder de uma esquerda que muitos apoiaram fervorosamente durante a campanha presidencial.