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BCE vai comprar obrigações, "mas só dos países que façam as reformas"

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BCE vai comprar obrigações, "mas só dos países que façam as reformas"

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Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), prometeu, no final de Julho, tudo fazer para debelar a crise na zona euro. Parte dessa estratégia deverá ser divulgada, esta quinta-feira, após a reunião do conselho de governadores.

Espera-se que o BCE anuncie a retoma de compra de dívida soberana, mas sem dar muitos detalhes, de forma a pressionar os governos a continuarem as reformas. Mas como reagirão os mercados?

“Estamos já a assistir a um certo impacto nos mercados, na medida em que todos perceberam que o BCE terá mesmo de intervir. Isso acalmou a situação. O BCE está a enviar a mensagem de vai comprar obrigações, mas só dos países que façam as reformas. Caso sigam esse caminho, a crise torna-se gerível. Não vai terminar de imediato, mas lentamente vai sendo resolvida”, explicou à euronews Daniel Gros, director do Centro de Estudos de Política Europeia, em Bruxelas.

Itália e Espanha são os países mais pressionados, pagando altas taxas de juro para obterem empréstimos. Contam com o apoio de França para um papel mais ativo do BCE na compra de obrigações, mas ainda enfrentam a resistência da Alemanha.

“Penso que a ideia generalizada de que a Alemanha se opõe à compra de títulos é errada. Mas obviamente que, na Alemanha, alguns setores do público, o banco central e parte da imprensa económica estão contra. O banco central alemão tem sido sempre exteremamente conservador porque tem medo que estas medidas façam aumentar a inflação”, acrescenta o analista.

No início da semana, a agência de rating Moodys reviu em baixa a nota da União Europeia, justificando-a com perspetivas financeiras negativas para Alemanha, França, Reino Unido e Holanda.