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Holanda: o mesmo rumo para o mesmo primeiro-ministro?

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Holanda: o mesmo rumo para o mesmo primeiro-ministro?

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Mark Rutte segue em frente no caminho da Europa. O jovem primeiro-ministro da Holanda mantém-se no poder, sustentado num programa político claramente virado para Bruxelas, numa altura em que a crise inflama os movimentos anti-europeístas no país. A estratégia de Rutte consistiu no seguinte: endureceu o tom em relação à União Europeia, ao mesmo tempo que demonstrou aos holandeses o quanto precisam dela.

Este homem de 44 anos, solteiro, lidera o Partido Popular para a Liberdade e Democracia, de inspiração liberal, desde 2006. Em 2010, apesar de um percurso relativamente discreto, chega à chefia do governo, feito inédito para o seu partido.

A Rainha Beatriz encarrega-o, então, de formar o executivo. Rutte torna-se no primeiro político liberal a assumir esta função desde 1918. No entanto, tem apenas mais um assento parlamentar do que os trabalhistas, o que o obriga a compôr o governo com o apoio dos populistas do PVV de Geert Wilders.

Ambos chegam a acordo sobre a apertada política de imigração. Mas a palavra “Europa” continua a dividi-los. Rutte segue o eixo Merkozy. Para ele, o futuro da Holanda é inconcebível fora do contexto da União Europeia e das suas diretivas.

É precisamente a imposição do limite do défice público, que Bruxelas exige situar-se abaixo dos três por cento, que começa a fragmentar a aliança política. O líder populista é profundamente anti-europeu e recusa sucessivamente os ditames de Bruxelas. As negociações arrastam-se durante vários meses até que, em abril passado, é declarado o falhanço das conversações. Wilders retira o apoio, precipitando a queda do governo. Agora Mark Rutte abre um novo capítulo, ensombrado pelas previsões de uma recessão de cerca de um por cento, este ano.