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Sindicato belga pede mais impostos sobre grandes fortunas

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Sindicato belga pede mais impostos sobre grandes fortunas

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Um sindicato belga organizou, esta sexta-feira, uma manifestação para pedir mais justiça fiscal, exigindo que o governo cobre mais às grandes fortunas.

O pequeno reino é visto como um paraíso, sobretudo para os franceses e o caso foi alimentado, esta semana, com o alegado pedido de nacionalidade belga do homem mais rico da Europa, o francês Bernard Arnault.

“Na Bélgica não se cobram impostos pelas mais-valias obtidas com transferências de capital como acontece em França. A Bélgica também não aplica imposto solidário sobre grandes fortunas, como o ISF em França. Finalmente, as doações em Bélgica são tributados a uma táxima máxima de 7% e na França é muito mais elevada”, explica o especialista em fiscalidade Manoël Dekeyser.

Dos 200 mil franceses que vivem na Bélgica, estima-se que 2% sejam reformados com grandes rendimentos. Poderão vir a exilar-se muitos mais, já que o presidente francês, Francois Holande, anunciou uma subida de impostos para os titulares de grandes rendimentos.

“Cada vez temos pessoas mais jovens, incluindo famílias com crianças, em que os membros do casal têm 40 a 50 anos. Temos também uma grande clientela de reformados ou de pessoas que deixaram de trabalhar e querem proteger o patrimonio”, refere uma mediadora imobiliária.

Alain Lefebvre é um dos poucos franceses a falar abertamente sobre exílio por questões fiscais. Passou a residir na Bélgica, em 2005, para não ter de pagar mais-valias com a venda das ações num negócio de revistas.

Critica o desprezo francês pelos mais afortunados: “Na França somos muito igualitários, ninguém gosta dos que dão nas vistas, dos que são mais bem sucedidos, que são empreendedores. Patrão é quase uma palavra feia”, afirma.

Se a Bélgica não tributa o capital, aplica por outro lado grandes impostos sobre o trabalho, com taxas que são das mais altas na União Europeia.