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Governo turco decapita poder militar

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Governo turco decapita poder militar

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Os guardiães da república laica da Turquia, fundada por Atartuk, perderam qualquer poder contra os islâmicos do governo.

Durante 20 meses e em 107 audiências, 365 militares turcos (12% dos líderes militares) compareceram num tribunal civil para responder a uma acusação muito grave mas sem provas: a de participarem numa conspiração contra o Governo do AKP, em 2003, que tinha chegado ao poder no ano anterior.

A chamada “Operação Martelo” teria concebido uma série de atentados, entre eles dois atentados à bomba a duas mesquitas em Istambul, para semear o caos e justificar uma intervenção pacificadora do Exército.

O antigo chefe do Estado Maior do Exército, general Cetin Dogan, clamou inocência desde o início (2010):

“Este processo não tem bases válidas e demonstrá-lo-emos. Oiçam tudo pacientemente e divulguem perante todos. Contem o que está a suceder na Turquia”.

Quando um jornal publicou pela primeira vez as acusações de tentativa de golpe militar, no princípio de 2010, o General Ilker Basbug, então Comandante em Chefe das Forças Armadas, desencadeou uma vaga de revolta perante as câmaras de televisão, dando a entender que os militares estavam a perder a paciência:

“Gostaria de lhes perguntar, inconscientes, como é que um exército pode ordenar uma ofensiva aos soldados que gritam por Alá e os mandam colocar uma bomba numa mesquita! É a casa de Alá, quem pode ser inconsciente até esse ponto?”

O braço de ferro entre o exército e o governo agravou-se com a chegada dos islamitas autodenominados moderados de Erdogan – que sempre se mostrou determinado a submeter aos militares ao respeito do Estado de direito.

As reformas empreendidas por Erdogan, desde 2003, aumentaram as tensões com os militares. O ponto culminante deu-se em 2007, com a eleição do presidente Abdullah Gül, também membro do AKP. O exército estava contra.

Eis o resultado. Tal como na purga de Estaline no exército vermelho, na antiga república soviética, foi decapitado o exército que defendia a herança de Ataturk e o Estado laico.

Resta saber agora o que vai acontecer aos cerca de 100 jornalistas detidos sem culpa formada.