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Portugueses frustrados e revoltados com as medidas de austeridade

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Portugueses frustrados e revoltados com as medidas de austeridade

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O governo comprometeu-se a explorar medidas de combate ao desemprego com os parceiros sociais, nas sequência do megaprotesto que surpreendeu políticos e sindicatos, na passada sexta-feira.
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O anúncio surgiu depois de Passos Coelho ter oficializado o abandono da proposta de baixar a TSU às empresas e agravamento da contribuição social dos trabalhadores.

Depois de 8 horas de reunião do Conselho do Estado, convocada pelo presidente da República, Anibal Cavaco Silva, Passo Coelho teve de recuar na TSU.

Caiu o aumento de sete pontos percentuais para os trabalhadores, de 11 para 18% e quaisquer medidas de redução da TSU passam a ter um caráter muito limitado e ligado à criação de emprego.

As cotações patronais desceram de 23,75% para 18%.

Tranferem-se assim dois mil milhões de euros que recaíam sobre os trabalhadores para as empresas. O desemprego, teoricamente, está nos 15,7%.

Mas o cálculo não agradou a ninguém, e muito menos os trabalhadores, que, mais uma vez, se sentem roubados.

Mau cálculo, porque a medida não tem convencido a ninguém, começando pelos trabalhadores, como é o caso de um padeiro:

“Não ajuda os empresários nem os trabalhadores. Ao fim de um ano perdemos o equivalente a um mês de salário e os empresários continuam a pagar muitos impostos, e não podem subir o salário dos trabalhadores”

Uma opinião partilhada pelo proprietário da padaria:

“Não dá, não. Devemos pagar mais contribuições para a segurança social e menos aos trabalhadores. Ou seja, tiro ao empregado para o Estado e ainda ganho menos. Não é suficiente para contratar outro empregado, por isso não funciona.”

Depois da subida do IVA – de 21 para 23% – e da subida do IRS, os portugueses reduzem cada vez mais o consumo. A recessão, que atinge 3% do PIB vai continuar em 2013. Com este panorama, é difícil os portugueses verem a luz ao fim do túnel.