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Madrid reforça austeridade quando mercados esperam pedido de resgate

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Madrid reforça austeridade quando mercados esperam pedido de resgate

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O governo espanhol reforça a austeridade para tentar recuperar a credibilidade junto dos mercados e combater a desconfiança da população. Três ministros (Economia, Orçamento e vice-presidente) detalharam, esta quinta-feira, a proposta de orçamento de estado para 2013, marcada por novos cortes na despesa e aumento de impostos, sem tocar, para já, nas pensões.

Mas a principal dificuldade continua a ser o aumento dos juros da dívida (33%), que representam uma despesa calculada em 9.742 milhões de euros.

Como sublinhou o ministro do orçamento espanhol, Cristóbal Montoro, “este aumento corresponde a 10 mil milhões de euros com os quais poderíamos fazer muito mais. É por isso que é importante travar o crescimento da dívida pública no nosso país”.

Em paralelo aos cortes de 7,2% nas despesas do estado, o aumento em 4% nas receitas inclui não só o aumento do IVA, já em vigor, o congelamento dos salários da função pública pelo terceiro ano consecutivo mas também outras medidas, como a criação de um novo imposto de 20% sobre prémios de lotaria superiores a 2500 euros.

O governo espanhol apresentou ainda um plano de reformas, em parte exigido por Bruxelas, que inclui a criação de uma agência independente de fiscalização das contas públicas. Uma forma de, “antecipar os desvios orçamentais e controlar a transparência”, como sublinhou a vice-primeira-ministra espanhola Soraya Saenz de Santamaria.

Para evitar mexer nas reformas, o governo preferiu para já recorrer ao fundo de reserva da segurança social para assegurar o pagamento das pensões. Madrid pretende no entanto, já a partir do próximo ano, discutir o adiamento da idade da reforma.

Um analista lembra que Rajoy tem pouca margem de manobra, “as medidas têm como objetivo enfrentar o problema do défice elevado e falta de solvência que preocupa os investidores internacionais e por isso a única coisa que pode fazer é reduzir a despesa”.

A Comissão Europeia saudou as medidas apresentadas por Madrid, que parecem longe de contentar os manifestantes nas ruas. As previsões do governo de um ligeiro recuo no desemprego – 0,2% – e a manutenção das previsões de queda do PIB em apenas 0,5% (quase metade das previsões dos organismos internacionais) estão, no entanto, longe de tranquilizar os mercados.

A revista The Economist fala hoje de desilusão com Rajoy afirmando que “o país tem de pedir um resgate antes que seja tarde demais”.