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O novo sonhador da Geórgia

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O novo sonhador da Geórgia

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Bidzina Ivanichvili pretende ser primeiro-ministro, à frente da coligação “Sonho Geogiano” nos próximos dois anos e, depois, dedicar-se de novo aos projetos na sociedade civil. Afirma pretender aprovar algumas reformas e retirar-se imediatamente.

O multimilionário, com fortuna feita na Rússia, era um desconhecido, que nem a nacionalidade do país tinha. O governo da Geórgia teve de alterar a Constituição para que o líder da aliança de vários grupos políticos minoritários da oposição, pudesse candidatar-se nestas eleições legislativas. Mas o milionário, que tinha a nacionalidade russa e francesa, não chegou a abdicar de nada para adquerir a nacionalidade georgiana. Assim, tornou-se apátrida

O “Sonho georgiano” foi registado em 2011 por este oligarca russo, que, imediatamente, começou a recolher provas de alegados fracassos governamentais e que usou para se dar a conhecer.

Continua a saber-se pouco sobre o construtor da futurista residência de Tblissi, quase em frente do palácio presidencial.

Sabe-se que a família era muito humilde e que foi na Rússia que fez fortuna, nos anos 80, nomeadamente, como proprietário de um banco.

Putin não lhe facilitou a vida e, por isso, Ivanishvili instalou-se em França, em 2002, e adiquiriu a nacionalidade francesa.

Um ano depois, eclodiu a revolução das Rosas na Geórgia, liderada por Mikail Saakhashvili que derrotou o antigo regime de Eduard Chevernadze. Ivanishvili regressou então ao país de origem depois das eleições, começando a trabalhar na sombra, primeiro como aliado do presidente e depois como rival.

Assegura ter financiado grandes obras e ter, inclusivamente, pago o salário de altos funcionários do Estado no valor de milhares de milhões de dólares. Provas não existem.

Incendiou a opinião pública com a divulgação, num canal privado de televisão que lhe pertence, do vídeo de tortura numa prisão, feito por um dos torcionários. Esperou pela campanha eleitoral para o divulgar e colocar o agente em segurança na Bélgica. Hoje, o autor é alvo de um mandado da Interpol para extradição.

Tudo o que o envolve é um mistério absoluto, a começar pelo programa de relações internacionais. Nada sobre a Europa ou a NATO. Apenas disse, em campanha, que vendeu os ativos na Rússia, mas que deseja restabelecer os laços económicos com Moscovo.

O movimento “sonho georgiano” traduz, no entanto, o sonho deste homem que reina como um senhor medieval na aldeia que o viu nascer… os georgianos que votaram nele desejam que faça o mesmo pelo país.