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Líder de "O sonho georgiano" pretende chefiar o excecutivo

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Líder de "O sonho georgiano" pretende chefiar o excecutivo

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Tblissi festeja uma viragem com o “Sonho Georgiano”, uma coligação feita em 2011 para concorrer a estas eleições. A vitória da oposição liderada pelo multimilionário Ivanichivili coloca alguns problemas: ele quis tantas nacionalidades que acabou sem a russa, a francesa e mesmo a georgiana. Tirando esse qui pro quo, pretende ser primeiro-ministro e liderar a Geórgia sob presidência do rival, Saakashvili.
Sergio Cantone, euronews – Está a pensar em mudar de nacionalidade?

Bidzina Ivanishvili – Refere-se à nacionalidade francesa?

euronews – Sim, renunciar à francesa pela georgiana.

Bidzina Ivanishvili – Acho que é possível ter ambas. Posso manter a francesa e recuperar a georgiana. Como sabe, fui privado ilegalmente de minha nacionalidade e o caso depende agora da justiça.

euronews – Provavelmente vai obter um importante cargo institucional.

BI – Quero ser o novo primeiro-ministro da Georgia, que, segundo a Constituição é quem dirige o país.

euronews – Que pretende fazer para atrair mais investidores estrangeiros para o país? De que países ou blocos devem vir os investimentos, dos Estados Unidos, da União Europeia, da Rússia?

BI – Atualmente os empresários georgianos não estão prontos para exportar para os Estados Unidos ou para a Europa. De modo que o primeiro passo é marcar de novo presença no mercado russo. É um mercado que os empresários georgianos conhecem melhor, é mais familiar. O principal problema é que não temos uma produção local forte, e para chegar a outros mercados, primeiro precisamos é produzir.

euronews – Também há problemas políticos que de alguma forma afetam o comércio georgiano, e é aí que as relações com a Rússia são problemáticas, principalmente do ponto de vista político. Como se pode resolver este problema?

BI – É uma pergunta muito importante. Estou absolutamente ciente de que não vai ser fácil normalizar as relações com a Rússia e vai demorar algum tempo. Primeiro vamos fazer o possível para restabelecer as relações culturais e comerciais. Só depois nos podemos centrar na integridade territorial do país e manter boas relações diplomáticas com a Rússia.

euronews – Continua a considerar primordial a integração na NATO e na UE?

BI – O nosso principal objetivo é a integração euroatlântica. Nada vai mudar essa estratégia. Queremos fazer parte da União Europeia e da NATO.

euronews – Por um lado quer estabelecer boas relações com Rússia e por outro quer que o país seja candidato à adesão à NATO…são coisas bastante contraditórias.

BI – Numa etapa inicial pode haver contradição, mas temos de conseguir porque não vamos mudar a nossa estratégia nem para a UE nem para a NATO. Temos que aprender com a experiência de outros países, como os Estados Bálticos, que entraram na NATO e na União Europeia, e ao mesmo tempo, conseguiram normalizar as relações com a Rússia. Isto vai ser difícil, mas não impossível.

euronews – Tem um passado empresarial muito ligado à Rússia. Está convicto de que isso o ajudará a encontrar soluções para problemas insolúveis para outros?

BI – Conheço bem os russos, tenho muitos amigos lá e, possivelmente, isso vai ter uma influência positiva na hora de estabelecer relações diplomáticas com o país, mas também não acho que vá ter um papel significativo em todo o processo. O que é evidente é que o porcesso não será facilitado.

euronews – Mantém interesses empresariais na Gazprom?

BI – Há cinco ou seis anos que não tenho ações Gazprom. De qualquer modo, nunca tive mais de 1%…na verdade, é uma questão retórica. Naquela altura podíamos comprar ações de manhã e vendê-las à noite. Comprei e vendi a minha parte na Gazprom de um modo rentável.