Última hora

Última hora

Nuclear: centrais da UE precisam de obras no valor de 25 mil milhões

Em leitura:

Nuclear: centrais da UE precisam de obras no valor de 25 mil milhões

Tamanho do texto Aa Aa

Depois do acidente nuclear que se seguiu ao sismo de Fukushima, no Japão; a União Europeia resolveu testar as suas centrais nucleares e descobriu que muitas precisam de fazer melhorias ao nível da segurança.

Os testes de resistência tinham como objetivo avaliar a robustez em caso de fenómenos naturais, nomeadamente inundações e sismos.

Embora nenhuma vá ser encerrada, as obras poderão custar até 25 mil milhões de euros, disse, esta quinta-feira, o comissário europeu para a Energia, Günther Oettinger, que apresentou o relatório final, em Bruxelas.

Um documento menos crítico do que a versão provisória divulgada no início da semana, mas o comissário disse que tal foi decidido pelos peritos.

“Não exerci qualquer influência sobre o conteúdo do relatório, nem acrescentei ou retirei cruzes sobre os reactores analisados. Também nenhum governo ou empresa nuclear exerceu qualquer influência”, assegurou Günther Oettinger.

De acordo com os resultados divulgados hoje, em 54 dos 145 reatores testados não são aplicadas as normas de cálculo de riscos de sismo e há 62 que não aplicam as atuais normas de cálculo de risco de inundações.

Foram identificados 81 reatores em que os equipamentos a utilizar em caso de acidentes graves não são armazenados em locais protegidos, e 24 reatores que não dispõem de uma sala de controlo de emergência para o caso de os equipamentos a utilizar em caso de acidentes graves.

Mas as diferenças de opinião entre Bruxelas e alguns dos 14 estados-membros (que albergam centrais nucleares) sobre os níveis de segurança adequados enervam a federação das empresas do setor.

“É um pouco patético ver o evidente conflito entre a Europa – como se diz em geral – e as autoridades nacionais. Como respresentantes da indústria somos responsáveis pela aplicação dos regulamentos e não queremos ser reféns do
conflito político entre os estados-membros, os reguladores e a Comissão”, disse à euronews
Jean-Pol Poncelet, diretor-geral da Foratom.

Já o movimento anti-nuclear teme que as empresas exijam que os reatores restaurados fiquem a funcionar por mais anos ou que façam refletir os custos das obras na fatura aos clientes.

“Com custos entre 100 e 200 milhões de euros por reator, imagine o que custará evitar um acidente como Fukushima em França! Vão aumentar o preço do quilowatt-hora nuclear e serão os contribuintes a pagar”, disse a eurodeputada ecologista francesa Michèle Rivasi.

Bruxelas vai acompanhar a aplicação das medidas e apresentar, no início de 2013, uma revisão da Diretiva Segurança Nuclear.

A Comissão prevê ainda apresentar, em junho de 2014, um relatório sobre a concretização das recomendações.

Já as autoridades reguladoras nacionais elaborarão planos de ação nacionais com calendários de aplicação, que serão divulgados no final deste ano.