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Gregos passam do boicote aos insultos a Merkel

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Gregos passam do boicote aos insultos a Merkel

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Desde o início do ano que o slogan preferido dos manifestantes gregos é “expulsar os nazis”.

As feridas antigas reabriram com a crise e já ninguém estranha a abertura da hostilidade dos gregos para com a Alemanha.

Há três anos que a cura de austeridade imposta pela Troika empobrece os gregos e a Angela Merkel é a culpada do costume perante uma sociedade que perde a classe média e se fecha cada vez mais.

Do lado alemão os Media também não poupam os “clichés”. Nos últimos dois anos os títulos referem-se aos gregos como preguiçosos, corruptos ou, simplesmente, anti europeus.

A Focus alemã não teve qualquer pejo em fazer uma montagem da Vénus de Milo a fazer um gesto feio, o que provocou o apelo da Federação dos Consumidores Gregos a boicotarem os produtos alemães, em 2010.

A degradação das relações entre os dois povos também se nota nas esplanadas vazias e nas receitas do turismo, que cairam a pique. Está memso a ser muito mal visto exprimir-se na língua de Kant no país de Platão.

Jürgen Stegner, turista alemão em Atenas:

“Estamos um pouco preocupados com a situação na Grécia, a verdade é que até evitamos vestir como típicos alemães. Não queremos que se note que somos alemães porque nesta altura não estamos muito bem vistos. Seria melhor que os gregos se mostrassem mais autocríticos.”

Mas a crise também cria laços: o mercado alemão atrai jovens diplomados gregos e o fosso não é tão abismal como parece, segundo este greco-alemão:

Athanasios Syrianos:

“Registámos um aumento de visitantes no instituto Goethe, e também há mais alunos que inscritos no colégio alemão na Grécia. Significa que, apesar dos ecos negativos em determinada imprensa , os gregos não têm um sentimento negativo para com os alemães”

Mas é um facto que as relações bilaterais estão fragilizadas com a continuação das medidas de austeridade da Troika. Conscientes da tensão existente, os dirigentes alemães recordam que as decisões relativas à Grécia não são tomadas apenas por eles.

euronews – Como vimos, a presença de Angela Merkel, em Atenas, desencadeou protestos da população. O que se espera desta visita? Giannisis Stamatis, jornalista… não se espera que Angela Merkel faça concessões sobre as condições do resgate, então que podem esperar os gregos desta viagem?

Stamatis Giannisis – O governo grego deixou claro, desde o princípio, que a senhora Merkel não viria a Atenas carregada de presentes.

Merkel veio a Atenas, e permanece, para mostrar a solidariedade com o governo grego e os esforços desenvolvidos para impulsionar as reformas.

Portanto não se espera que esta visita tenha efeitos políticos ou económicos, pois todos esses aspetos serão abordados na Cimeira Europeia. Adem disso, Merkel deixou claro que Grécia tem que impulsionar as reformas dantes de dar luz verde a qualquer concessão…

euronews – Será que o primeiro-ministro Samaras está a tentar conseguir concessões para mais tarde?

GS – Certamente na última etapa, mas não agora. Como chefe de um governo de coligação tripartido, Samaras tem de cumprir uma legislação muito severa, tem de conseguir que o Parlamento aprove mais medidas para aplicar mais cortes aos funcionários públicos, novas medidas de austeridade difíceis de aprovar.
E natural que haja vítimas na coligação do governo, os ministros que não votem pela aprovação destas medidas hão-de cair, porque as medidas têm de ser aprovadas.

euronews – Se esta visita é uma mostra de apoio de Merkel ao líder conservador Antonis Samaras, a relação com os parceiros do governo não vai ficar afetada?

SG – No que se refere à aliança e a como poderá resistir, o que é importante é a aprovação parlamentar do novo pacote de medidas de austeridade.

De todas formas é uma aliança precária, e à medida que o tempo passa e as medidas forem aplicadas, a coligação vai ter cada vez mais problemas.

Por agora parece resistir, pelo até à votação no Parlamento.