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EUA e UE de acordo no combate às ameaças terroristas

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EUA e UE de acordo no combate às ameaças terroristas

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Os Estados Unidos estão sob constante ameaça de ataques terroristas, seja de países como o Irão seja de grupos como A Al Qaeda. É à responsável pela segurança interna, Janet Napolitano, que cabe a prevenção do terrorismo em solo norte-americano.

A euronews aproveitou a oportunidade da visita à Europa para saber como evolui o trabalho nesta área. Nial O’Rilley:

Janet Napolitano, Secretária de Estado, benvinda. Está na Europa para abordar com os parceiros europeus vários assuntos relativos à segurança. Mas primeiro gostaria de falar de política, se não se importa. O candidato republicano à presidência norte-americana afirmou que pretende aumentar a despesa com a Defesa. O presidente cessante diz que vai cortar bastante.. Acha que os Estados Unidos vão ser um país mais seguro com Mitt Romney?

Janet Napolitano – Acho que a segurança não deve ser um tema partidário, o que é um requisito indispensável para garantir a segurança do país a longo prazo. Não se trata só da despesa com a Defesa, mas também de reforçar as leis e outro tipo de investimentos em segurança.

Estamos a focar-nos nisto, e uma das coisas positivas no meu trabalho é a comissão que supervisiona a segurança interna e é dirigida por uma representação bipartidária em termos de igualdade, que tem como objetivo conseguir a melhor organização para obter os melhores resultados. Por exemplo, como abordar as mudanças e as novas ameaças. A maioria dos dirigentes em Washington acha que vai conseguir um acordo deste modo. Mas se não conseguirem e houver cortes orçamentais, vai haver menos menos scanners nos aeroportos, o que significa filas de espera mais longas, menos inspetores nos portos, de novo mais tempo de espera, menos agentes de polícia aduaneira, e tudo isto tem um impacto maior nos esforços atuais em matéria de segurança.

euronews – Até agora, que lhe pareceu a cooperação, a coesão entre os europeus à hora partilhar informação com Estados Unidos?

JN – Temos uma boa cooperação com a Europa e com a França. Estudamos como fortalecer ainda mais essa cooperação reconhecendo, ao mesmo tempo, a necessidade de proteger o direito à privacidade e as liberdades civis. Conseguimos um acordo com a União Europeia para partilhar informação detalhada sobre os passageiros das linhas aéreas em determinadas circunstâncias. A informação é partilhada, mas está extremamente protegida para que não se torne pública. É usada estritamente para o propósito para o qual é fornecida. É a isso que nos referimos quando falamos em intercâmbio de informações que tornam os nossos operadores mais eficazes, assim como os scanners e transmitem mais segurança às pessoas.

euronews – Deseja que, por vezes, haja mais coesão entre os Estados euorpeus? Na realidade são 27 países diferentes, com diferentes políticas. Gostaria que a Europa avançasse para uma política de segurança e de defesa comum para que os Estados Unidos tivessem um parceiro mais coeso?

JN – Bom, pelo que tenho visto, e já estou no cargo há quatro anos, há movimentos nesse sentido, e é o curso natural das coisas. Nos Estados Unidos temos 50 Estados e todos têm regras e protocolos diferentes, por isso é indispensável sermos flexíveis.

euronews – O Departamento de Segurança Nacional foi criado depois dos atentados do 11 de setembro. Como progrediu? Como se trata a informação partilhada entre as diferentes agências de segurança que há nos Estados Unidos? Está satisfeita com o caminho percorrido?

JN – Nunca estamos completamente satisfeitos porque fica sempre trabalho por fazer. As ameaças evoluem constantemete, continuamos a empregar novas tecnologias para reunir e analisar melhor os dados, mas no que se refere a partilhar a informação entre os departamentos somos mais eficazes agora do que há cinco anos, e há cinco anos éramos melhores que faz dez…

euronews – Mas na altura do 11 de setembro havia uma certa rivalidade entre as agências de segurança. Acha que essa rivalidade deixou de existir? Acha que se pode evitar um atentado por essa razão?

JN – Estou confiante. Com os atuais procedimentos, não só no meu departamento, mas também no FBI e noutras agências, é virtualmente impossível uma réplica dos atentados de 11 de setembro. Não quer isto dizer que não possa haver outro tipo de ataques, e é a isso é que me refiro quando digo que não nos podemos distrair e achar que acabamos o trabalho. Se o dissermos, os nossos inimigos vão encontrar outros meios para nos atacarem.

euronews – Qual é a principal preocupação? Em termos de terrorismo doméstico ou estrangeiro, o que lhe tira o sono?

JN – Diria que há duas áreas em que concentramos toda a atenção: uma é a aviação, tivemos por exemplo, uma tentativa de colocação de uma bomba num cargueiro aéreo no Iémen. Houve outras tentativas para fazer explodir avionetas, com passageiros ou com bombas armadilhadas. Por isso é a aviação e o cibercrime que nos preocupa mais. Temos de lidar cada vez com mais estilos e o constante aumento de ataques via internet, fatais e abrangentes.

euronews – Como é que o cibercrime pode afetar os Estados Unidos? Com que potencial?

JN – Há muitos tipos. Desde o alegado D-DOS, Distributed Denial of Service Attack, que pode interferir por exemplo no sistema financeiro ou algo desse tipo, até controlar um sistema como a rede eléctrica e até o roubo de propriedade intelectual ou de informação secreta, passando pela exploração infantil via internet.

euronews – A senhora deixou de usar correio eletrónico por causa destas questões, é verdade?

JN – É verdade, não uso, em parte por preferência pessoal, e em parte porque toda à gente em meu redor utiliza. Mas se o fizesse, assegurar-me-ia de praticar uma boa ciber higiene.

euronews – Ou seja, pode viver-se sem email. É a sua mensagem pessoal?

JN – Pode viver-se e muito bem, mas a verdade é que ajuda muito quando se trabalha com muito pessoal, que é o meu caso.

euronews – Mas não o da maioria… Permita-me que lhe pergunte sobre o Irão, sobre a situação das instalações nucleares. Israel sugeriu um ataque preventivo. O Irão respondeu que atacaria interesses norte-americanos dentro e fora de fronteiras. Como encaram esse tipo de ameaças?

JN – Acho que uma das coisas que experimentamos são os diferentes tipos de ataques provenientes de diferentes fontes, alguns da responsabilidade de outros Estados, outros não, e é difícil determinar a autoria. Gerimos caso a caso, mas a prioridade é identificar a autoria rapidamente e partilhar a informação para mitigar os efeitos.

euronews – O presidente Obama estendeu a mão da amizade ao Irão no discurso inaugural, em 2008. Acha que ele vai manter essa abertura no próximo discurso inaugural em caso de reeleição? pergunto-lho como democrata…

JN – Como cidadã norte-americana não faço prognósticos baseados em “se” … mas posso dizer-se que os esforços de Irão para se dotar de armamento nuclear não deviam ser minimizados por nenhum país do mundo.