Última hora

Última hora

Lance Armstrong: ascensão e queda de um mito

Em leitura:

Lance Armstrong: ascensão e queda de um mito

Tamanho do texto Aa Aa

Lance Armstrong participou, este domingo, num evento caritativo, no Texas, como se o escândalo de dopagem em que está envolvido não lhe dissesse respeito.

Há duas semanas, a USADA, a agência norte-americana antidopagem, acusava o ciclista de ter elaborado, com a US Postal, o “programa de dopagem mais sofisticado da história do desporto”.

Resultado: suspensão permanente das competições e anulação das vitórias alcançadas a partir de 1998.

O que inclui todas as vitórias da Volta a França, a começar em 1999, quando, aos 28 anos e após uma luta contra o cancro dos testículos, o ciclista texano decidiu consagrar-se unicamente ao “Tour”.

“Celebremos a vitória da Volta a França, é fantástico, mas celebremos também a vitória contra o cancro”, dizia Armstrong em 1999.

É o nascimento de um mito. Imbatível no contrarrelógio, espetacular na montanha, o ciclista ganha sete vezes consecutivas aquela que é conhecida como a “grande boucle”. Um recorde nunca visto.

Em 2005, contudo, surgem as primeiras dúvidas mas o mito não cessa de crescer. A América vive ao ritmo das suas vitórias e todas as marcas se querem associar ao nome de Lance Armstrong.

As dúvidas são confirmadas a semana passada, num relatório de mil páginas onde, graças ao testemunho de antigos colegas do ciclista, a USADA explica em pormenor o sistema elaborado pelo ex-campeão: utilização de métodos e substâncias proibidas, EPO, transfusões sanguíneas, corticoides, produtos de encobrimento… mas também tráfico e incitação à dopagem. No epicentro do sistema: Michele Ferrari, o médico italiano da equipa que ganhava somas astronómicas com a dopagem.

Floyd Landis e Georges Hincapié são dois dos 15 antigos colegas de Armstrong que testemunharam. O ciclista guardava os produtos dopantes no frigorífico e encorajava os outros a tomá-los. E falsificava os testes, atrasando-os ou através de transfusões sanguíneas.

Com pés de barro, o mito desmorona-se pouco a pouco. Na semana passada, Lance Armstrong abandonou o cargo de presidente da sua fundação contra o cancro e o seu principal patrocinador, Nike, abandonou-o também.