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Divisões linguísticas na Ucrânia acendem ânimos

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Divisões linguísticas na Ucrânia acendem ânimos

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Quatro dos 17 distritos da região de Luhansk, no leste ucraniano negaram-se a adotar a chamada lei dos idiomas, que oficializa o russo em oito regiões da Ucrânia.

No distrito de Novopskovm, a poucos quilómetros da fronteira russa, menos de 10% de ucranianos consideram o russo língua materna.

Acusam aos políticos de utilizar este assunto para criar um conflito artificial entre leste e oeste.

Uma professora reformada explica que o facto de estar perto da fronteira russa dá uma percepção diferente da história, radicalmente oposta à dos ucranianos da região ocidental.

Valentyna Romenska: “Aqui temos uma visão muito diferente do que é o patriotismo. No Leste, considera-se o Exército Vermelho soviético como o libertador.

Para os ucranianos cidentais foi o Exército Insurgente da Ucrânia que derrotou os fascistas. mas à medida que passa o tempo e chegam novas gerações, sempre resta a esperança de que este tipo de controvérsias históricas morram connosco…”

Mesmo se esta região é russófona e fronteiriça, os habitantes são etnicamente ucranianos e tentam conjugar as tradições. Como os noivos que partem com as mãos o pão ucraniano mas nem sequer falam a língua do país.

Ao contrário de outras regiões, a cidade de Luhansk adotou a nova lei e deu ao russo o estatuto de língua oficial – lei que não dá o mesmo estatuto a outras línguas onde a maioria é de origem tártara ou de qualquer outra etnia.

É a lingua que se vai utilizar nos tribunais, nas universidades e noutras instituições, ao mesmo nível que a língua ucraniana.

Um taxista que estudou em russo, está satisfeito por poder usar os conhecimentos para preencher, por exemplo, documentos oficiais.
Mas é de opinião que o único idioma oficial deve ser o ucraniano:

“Gosto de ter a opção de preencher os documentos em russo, porque para mim é mais fácil e faço menos erros. Mas acho que é uma vergonha os nativos da Ucrânia não falarem a prória língua nem conhecerem a história do país.”

Promover o russo é uma estratégia de campanha no leste da Ucrânia. Sente-se a nostalgia do passado soviético nesta região, por isso alguns políticos propõem elos mais fortes entre a Rússia e a Ucrânia.

Apesar da oficialização da língua russa, Kiev ainda não aplicou a lei, em parte pelo receio generalizado de que se converta língua dominante.
Por esta razão, três profissionais da rádio realizam um programa semanal de sucesso, à quinta-feira, apenas em língua ucraniana.

Os três locutores, russófonos, acham que este tipo de programas ajuda a superar as dificuldades de transição linguística.

Valeria Chachibaya, “Prosto Rádio”:

“Quando se começa a falar ucraniano com alguém, o interlocutor, frequentemente, passa automaticamente para o ucraniano. Só que duas frases depois já fala em russo.

Isto acontece por falta de hábito. Se as pessoas tiverem de falar sistematicamente na própria língua, e treinassem bastante, se sintonizarem a rádio em ucraniano e os ouvirem bons dias na sua língua, é mais fácil sentirem-se integradas na comunidade linguística ucraniana. “

Alguns sociólogos ucranianos, divulgam que 24% da população considera que o russo devia ser a segunda língua oficial do país, mas essa mesma ideia levanta questões no oeste do país, onde a maioria fala ucraniano.

O Conselho regional de Lviv, por exemplo, questiona a legalidade da lei que oficializa o russo no território.
Para o director do Conselho regional, é absurdo considerar que o russo corre perigo nalgum ponto da Ucrânia.

Oleh Pankevych:

”Ninguém diz que os direitos dos que se expressam em russo possam, de algum modo ser violados, atualmente. No entanto, assim que se liga a rádio ou a televisão, ou se repara nos livros vendidos, conclui-se que a língua russa é dominante.”

O conselho regional de Lviv enviou a lei ao Tribunal Constitucional para clarificar os artigos sobre a oficialização do russo, que considera anticonstitucionais. Mas o governo central, do Partido das Regiões, acha que com umas emendas à lei resolve o assunto.